O Dundee
United, clube que, ao lado do Aberdeen, desafiou a primazia da dupla Old Firm
no começo dos anos 1980s, disputou a sua primeira European Cup, atual Champions
League, na temporada 1983-84.
Embora debutante no principal torneio de clubes
europeus, os Tangerines já tinham relativa experiência em competições europeias
tendo, inclusive, chegado à fase de quartas de final das duas últimas
temporadas da Uefa Cup.
E nesta primeira participação os Arabs foram adiante,
pois chegaram às semifinais da competição, quando enfrentaram a AS Roma, dois
dos jogos mais importantes da história do clube de Tannadice (mas especialmente
o primeiro).
E é justamente na primeira partida que nos
desbruçaremos logo em breve: a campanha do United a até a chegada do confronto
com a Roma, o jogo, uma das maiores exibições continentais da história do
clube, a possibilidade de uma final britânica, a truculência dos italianos na
volta, enfim tem várias histórias interessantes que contribuíram para um dos
momentos mais icônicos da história do Dundee United…
Maiores detalhes abaixo.
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| 1. Jim McLean é erguido em glória no Dens Park após o término do jogo que garantiu o título da Premier Division (SNS Group) |
O verão de
1983 testemunhou o pouso suave de volta à terra dos jogadores e torcedores do
United em seguida às fortes emoções do último dia da temporada anterior no Dens
Park, quando os Tangerines bateram o rival local por 2 a 1 no dia 14 de maio e
garantiram o título da Premier Division.
Gradualmente
os pensamentos começaram a se voltar para a nova campanha e pela perspectiva do
United agitar a bandeira da Escócia na European Cup.
O original
e mais tradicional dos três torneios interclubes europeus organizados pela
Uefa, o European Champions Clubs Cup, seu nome completo, teve a sua edição
inaugural em 1955. Nesta primeira temporada do novo torneio o representante da
Escócia foi o Hibernian - não que os Hibs tenham sido campeões, mas sim porque
eles eram o único clube que tinha os refletores adequados para a competição.
O United se
tornou o sétimo a participar do torneio continental como campeão da Escócia,
mas o clube pode alegar, justamente, que já tinha certo aprendizado europeu em
competições continentais, tendo disputado 46 partidas ao longo de 11 disputas
eliminatórias desde 1966.
A European
Cup era o torneio principal do continente, mas só era elegível um clube por
país, logo a quantidade de clubes era menor do que na Uefa Cup. Como o United
tinha alcançado as quartas de final da Uefa Cup nas duas temporadas anteriores,
era compreensível que Jim McLean e seus jogadores acreditassem que estavam bem
preparados para os desafios que os esperavam.
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| 2. Capa do programa oficial da partida contra o Rapid Vienna (Site The Arab Archive) |
A rodada de
inicial presentou o United com uma introdução relativamente simples quando foi
sorteado para enfrentar o campeão de Malta, Hamrun Spartans. Duas vitórias por
3 a 0 abriram a porta para um oponente mais formidável que era o Standard
Liege.
Foi a
segunda vez que o United foi sorteado para enfrentar os belgas, pois cinco anos
atrás, os clubes se enfrentaram pela Uefa Cup com o Liege avançando após marcar
o único gol de duas partidas ferrenhamente disputadas (1 a 0 na Bélgica e 0 a 0
na Escócia em 12 e 27 de setembro de 1978, respectivamente).
Mas desta
vez foi diferente. O United tinha crescido em termos europeus desde aquele
encontro anterior e, através de uma performance segura em solo belga, conseguiu
garantir um empate por 0 a 0.
Em
Tannadice os Tangerines exibiram 90 minutos de um futebol exuberante. O Liege
foi desmembrado quando Ralph Milne produziu outra performance excepcional,
marcando duas vezes na vitória por 4 a 0 que levou o Dundee United ao centro do
palco europeu novamente (Paul Hegarty e David Dodds marcaram os outros gols da
noite).
Este
resultado significou que o United havia alcançado uma fase de quartas de final
de competições europeias pela terceira temporada consecutiva, embora ninguém em
Tannadice imaginaria que nesta ocasião poderia ser melhor que nas outras vezes.
O próximo
oponente seria o Rapid Vienna, mas por causa das outras competições paralelas à
European Cup, seguiu-se uma lacuna de quatro meses até que as partidas fossem
disputadas.
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| 3. Capa do programa oficial da partida contra a Roma (Site The Arab Archive) |
Se o estilo
foi o passaporte para as quartas de final, uma verdadeira tarefa titânica foi
necessária para se classificar à fase seguinte do torneio, quando o campeão
austríaco se revelou duro na queda.
Após sofrer
uma pressão enorme dos anfitriões do Danúbio na etapa inicial da primeira
partida do confronto, Derek Stark foi às redes para dar um valiosíssimo gol
marcado fora de casa que valeria o seu peso em ouro ao término das duas
partidas.
Mas o Rapid
melhorou, ainda mais, o seu poderio ofensivo na segunda etapa do confronto e
finalmente conseguiu o seu prêmio quando marcou dois gols nos minutos finais de
jogo - Max Hagmayr aos 76 e Zlatko Kranjčar aos 86 minutos -, mas pode se dizer
que os Arabs não saíram exatamente insatisfeitos com a derrota por 2 a 1 obtida
naquele 7 de março de 1984.
Duas
semanas depois um ansioso público de 18.865 espectadores compareceu a Tannadice
e não ficou desapontado. Embora estivesse muito claro que os Arabs deveriam
marcar um gol para avançar às semifinais, havia uma importante ressalva para o alcance
deste objetivo: eles não podiam conceder nenhum gol ao adversário naquela
noite.
Durante o
jogo as coisas funcionaram muito bem. Davie Dodds marcou aos 21 minutos e,
embora o Rapid tenha exercido uma grande pressão contra a defesa do United para
marcar o que eles acreditavam seria o gol da classificação, os Arabs se seguraram
para se tornar um dos quatro clubes restantes na European Cup.
Agora seria
o tempo do sorteio final e os outros três possíveis adversários do United eram
a AS Roma, o Dinamo Bucharest e o Liverpool. Esta foi a primeira vez, desde
1963, que a cidade forneceu um semifinalista de European Cup – o Dundee esteve
nesta fase, enfrentando o AC Milan.
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| 4. Ingresso da partida (Site The Arab Archive) |
Os
adversários locais foram derrotados pelo AC Milan (5 a 1 para os italianos no
San Siro e vitória por 1 a o do Dundee no Dens Park) e, num espaço de 21 anos,
coincidentemente, o United foi sorteado para enfrentar um adversário italiano.
Contudo, as
coincidências param por aí, primeiramente porque o United jogaria a primeira
partida das semifinais em casa e, em segundo lugar, porque a AS Roma não tinha
a mesma reputação para se igualar com aquele AC Milan dos anos 1960s.
Apesar a AS
Roma tenha conquistado a Inter-Cities Fairs Cup em 1961, o clube não tinha um pedigree europeu e, como o United, era a
primeira vez que os romanos participavam da European Cup.
Dito isto,
qualquer clube coroado campeão da Série A representava um adversário formidável
e, além disso, a AS Roma tinha dois membros do time da Itália campeão da Copa
do Mundo de 1982, Conti e Grazianni, bem como dois brasileiros, Cerezo e
Falcão, que representaram o seu país na fase final daquela Copa do Mundo na
Espanha.
E havia
outro fator que tornava a tarefa do United hercúlea contra os italianos. Antes
do início da competição foi decidido que o Stadio Olimpico recepcionaria o
final do torneio naquela temporada, portanto a AS Roma teria a rara
oportunidade de disputar a joia da coroa europeia em sua própria casa o que,
por si só, era um poderoso fator de motivação para os romanos.
Houve um
tremendo interesse na partida e o preço dos ingressos refletiu o alvoroço
causado pelo confronto. Os valores dos ingressos foram dobrados, passando de £5
para £10 nas arquibancadas, produzindo uma receita recorde em Tannadice, que
alcançou a cifra de £120.000.
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| 5. Flâmula da partida entre a AS Roma e os Arabs em Tannadice (Site AS Roma Ultras) |
Houve certa
reação contrária dos torcedores ao súbito aumento de preços, mas o clube adotou
uma solução no sentido de permitir que os detentores de carnê da temporada entrassem
sem pagar na partida de Premier Division, do próximo fim de semana, que seria
contra o St Johnstonne.
A ocasião
dificilmente será esquecida pelos privilegiados que testemunharam a partida em
Tannadice. A ausência de Falcão, por estar lesionado, certamente não foi
lamentada pelos Arabs, mas os italianos rapidamente demonstraram que eles não
pretendiam utilizar uma estratégia defensiva em território escocês.
De fato
isto se comprovou quando o primeiro lance de perigo foi executado por eles,
quando Odoacre Chierico se desvencilhou da defesa dos Arabs e desferiu um
violento chute cruzado que passou rente à trave defendida por Hamish McAlpine.
Aos sete
minutos de jogo foi a vez do United chegar perto de abrir o marcador: Milne
cobrou uma falta rente à trave do goleiro romano Franco Tancredi, mas este conseguiu executar uma grande
defesa e mandou a bola para escanteio.
Mas então
as faltas passaram a acontecer com certa frequência, embora não violentas, de
ambas as partes o que tornava o jogo, em alguns momentos, muito truncado e com
os times apelando para os lançamentos pelo alto em profundidade tanto que Hamish
McAlpine, em determinado lance, correu para fora da sua área para cabecear uma
bola e trazer certo alívio para a defesa, pois
o alvo do lançamento longo era Roberto Pruzzo, então anulado pela intervenção
providencial do goleiro.
Depois
deste momento de interrupções pelas falta, as jogadas retornaram a fluir com
mais naturalidade do que McLean poderia esperar e ele pode ter ficado muito
preocupado quando, aos 25 minutos, a Roma perdeu uma grande oportunidade de
abrir o placar.
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| 6. Davie Dodds, o herói do primeiro gol em Tannadice (Getty Images) |
Chierico
levantou uma bola em jogada pela ponta esquerda e Francesco Graziani se
antecipou a Richard Gough, cabeceando a bola na trave de McAlpine. O perigo foi
afastado, mas o aviso para o United foi claro: a Roma estava determinada a
marcar um importantíssimo gol fora de casa.
O restante
do primeiro tempo viu os times conseguindo cancelar os esforços contrários para
chegar às respectivas metas e, para McLean, o intervalo forneceu a oportunidade
de instilar nos seus jogadores a importância deles aumentarem o seu tempo de
domínio da bola a um nível a que os italianos não estavam acostumados a lidar
normalmente.
A partir do
reinício da partida os Tangerines injetaram um ritmo de jogo que a Roma não
conseguiu lidar e foram nos primeiros minutos do segundo tempo que o gol de
abertura do placar foi criado.
Paul
Hegarty começou a comandar as ações do meio de campo, quando o United passou a
dominar o jogo. Richard Gough avançou pela direita, evitando as tentativas de
faltas dos jogadores romanos antes de cruzar uma bola para o lado oposto da
grande área que venceu a defesa da Roma.
A bola
chegou até Eamonn Bannon, cujo chute ao gol rebateu num dos jogadores da Roma
postados à na linha da pequena área e se ofereceu a Paul Sturrock, que
acompanhava o desfecho da jogada. Sturrock dominou a bola e, como não tinha a
oportunidade dele mesmo desferir o chute, rolou para trás na direção de Dodds,
que disparou um chute muito bem colocado que entrou próximo à trave esquerda de
Tancredi, decretando a abertura do placar para os Tangerines.
Este
primeiro gol aconteceu aos 48 minutos de partida e inflamou o público local
enquanto deixou os italianos trocando olhares acusatórios e, em alguns casos, palavras.
O United sabiamente aumentou o ritmo e passou a pressionar ainda mais os
visitantes e tal estratégia foi maravilhosamente recompensada 12 minutos
depois.
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| 7. Davie Dodds, à esquerda, comemorando o seu gol marcado no jogo (The Scottish Sun) |
Novamente
Strurrock foi o artífice da jogada quando dominou a bola, em cobrança de
lateral, na ponta esquerda do campo próximo à grande área romana, e girou
protegendo a bola do avanço dos adversários enquanto se afastava do gol de
Tancredi voltando na direção oposta, conseguiu tocar para Derek
Stark.
O lateral, que vinha na corrida, chutou com violência,
a uns 20 metros de distância, a bola que pegou efeito e quicou no chão já
próxima dum atônito e sem reação Tancredi, que não pôde fazer nada, exceto
pegar a bola nos fundos das redes para o reinício do jogo diante do rugido de
júbilo da torcida dos Tangerines.
Estes gols foram marcados diante dos 1.000 torcedores
da Roma, até agora, muito ruidosos, mas, especialmente o segundo gol,
compreensivelmente os calou. A Roma tentava segurar o jogo enquanto o United
forçava para conseguir um terceiro gol para levar uma vantagem ainda maior para
o território italiano.
Milne, que praticamente passou despercebido no
primeiro tempo, passou a rondar a área romana e ainda teve um chute, desferido
da entrada da área, desviado para escanteio. Ele mesmo cobrou o escanteio na
direção de Hegarty, que cabeceou alto da entrada da área e a bola foi caindo e
quase surpreende Tancredi, que a espalmou para escanteio.
Outra coisa que chamou a atenção foi o fato de
Chierico, o melhor jogador da Roma, ser advertido com uma cartão amarelo por
causa de uma falta violenta do meio-campista italiano em Banonn. Isto mostra o
quão eclipsados os romanos foram naquela noite.
Não houve mais gols até o fim do jogo, especialmente
em virtude dos italianos se fecharem na defesa para limitar o estrago já feito
e garantir a sobrevivência na rodada após o apito final.
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| 8. Card de Derek Stark (eBay) |
McLean explicou o que foi feito para dinamizar a
performance do United no segundo tempo: “Eu disse aos jogadores, durante a
pausa do intervalo, que eles estariam fora do torneio se as coisas
permanecessem deste jeito e continuassem relaxados no segundo tempo. E a
resposta foi maravilhosa… eles marcaram dois gols fantásticos, mas merecíamos
muito mais, porém agora estamos a 90 minutos da glória”.
Nils Liendholm, treinador da Roma, que parecia abalado
com o resultado de Tannadice, declarou: Nós
perdemos Falcão para esta partida, em virtude de contusão, mas eu acho que os
meus jogadores estavam conseguindo equilibrar as ações até o United marcar os
dois gols”.
Mas ele adicionou ameaçadoramente: “Falcão deve estar apto para jogar em Roma e
ele, certamente, fará uma grande diferença”.
Tal foi o poderio ofensivo do United no segundo tempo
que o presidente da Roma chegou a insinuar que os homens de tangerina estariam
dopados. Devido ao estilo mais lento do futebol italiano é perfeitamente
compreensível que os romanos ficaram desconcertados diante da velocidade dos
escoceses, mas o que envenenou o clima para a volta foram os comentários
pós-jogo, uma tendência que foi repetida à exaustão até a segunda partida – e
continuou mesmo após o término do segundo confronto.
O que
aconteceu depois?
É tentador dizer “não relembre”, mas os eventos no
Stadio Olimpico foram, por razões totalmente distintas, tão inesquecíveis quanto
àquelas em Tannadice.
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| 9. Página de revista com fotos dos capitães trocando cumprimentos e de Dodds e Stark, autores dos gols (Site AS Roma Ultras) |
Numa partida que é a segunda em importância na
história do clube, só perdendo para aquela em que o clube conquistou o título
da Premier Division no fim da temporada anterior, McLean conseguiu o conselho e
a assistência de um homem que sabia não somente como alcançar um final de
European Cup, mas conquistá-la, também.
Jock Stein, treinador da Escócia, viajou com a
delegação do United para Roma, dentro de uma atmosfera nunca antes
testemunhada.
No caldeirão que se transformou o Stadio Olimpico, os
500 torcedores do United tiveram que ser removidos para outra parte do estádio
pela polícia, para sua própria segurança, antes do apito inicial e, quando os
jogadotes dos Tangerines subiram para fazer o aquecimento pré-jogo foram atigindos
por laranjas e outros objetos menos duros.
Pode até parecer estranho, hoje em dia, que eles não
ficaram de todo intimidados pela onda de ódio que vinha das arquibancadas. Ela
era um pouco menos intensa do que a demonstrada pelos jogadores da Roma e o seu
banco de reservas.
Este, entretanto, não é nenhum tipo de acusação ao
United sugerir que a determinação para alcançar a final era maior entre os
jogadores da Roma, pois para eles era uma espécie de prêmio poder disputar a
final em seu próprio gramado, algo que eles consideravam como um sinal do
destino.
Não que os jogadores do United tenham desistido de
lutar pelo seu objetivo de chegar à final, mas aquela noite simplesmente não
foi uma das suas melhores em termos de partidas europeias e, sem dúvida, eles
foram sobrepujados naquele confronto.
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| 10. Capa do programa oficial e ingresso da partida contra a Roma em território italiano (eBay) |
Ainda que os homens de McLean pudessem ter ampliado a
sua vantagem geral para três gols no começo da partida quando a bola cruzada
por Bannon, na linha de fundo, escapou do peixinho de Dodds, mas ainda assim,
inesperadamente, caiu nos pés de Milne.
Contudo, Milne, que poderia ter dominado a bola e
escolhido uma melhor jogada, prontamente chutou e viu a bola se perder pela
linha de fundo por cima da trave.
Aquela acabaria sendo a única oportunidade do United
no jogo. A Roma igualou o placar agregado da partida ainda no primeiro tempo,
com gols aos 21 e aos 38 minutos e um pênalti, lá pela metade do segundo tempo,
garantiu o placar que os romanos necessitavam para avançar à final do torneio.
A improvável aparição do Dundee United na final da
European Cup não aconteceu. E num evento em que os romanos não conseguiram
traduzir a vantagem de jogar a final em casa numa vitória, foram derrotados
pelos inlgeses do Liverpool.
O Liverpool tinha um nível mundial e, talvez, uma
força mental um pouco mais firme para não ser intimidado pelo tipo de
artimanhas que o United sofreu, tendo a decisão terminado empatada em 1 a 1
após a prorrogação.
Para a alegria incontida de todos aqueles de alguma
forma envolvidos com o United, o clube inglês ganhou a disputa de pênaltis,
deixando os italianos com o que eles precisamente mereciam: nada!
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| 11. Torcida romana e várias faixas almadiçoando os Tangerines no Stadio Olimpico (Alessandra Bianchi) |
A exibição de ódio que McLean e o seu assistente,
Walter Smith, foram submetidos foi de tal intensidade que eles tiveram que
correr do gramado para os vestiários acossados e ofendidos por jogadores da
Roma, seguranças e torcedores após o término do jogo.
Esta humilhação é atribuída a uma campanha difamatória
incentivada pela imprensa italiana a partir do fim da primeira partida.
O treinador diria, mais tarde, que aquela experiência
o deixou um tanto quanto apavorado, ainda que ele não tenha deixado
transparecer literalmente durante a ocorrência dos fatos, esta foi uma dura provação pela qual ele
teve que passar.
E as coisas não foram as melhores para os jogadores.
Sturrock relembra: “Conforme nós
deixávamos o campo, fomos objeto de uma torrente de abusos e ofensas feitos
pelos jogadores e dirigentes da Roma. Todos nós recebemos cusparadas até
chegarmos ao santuário que era os nosso vestiário”.
E aquele vandalismo veio por parte dos vencedores. A
partir disso vocês podem imaginar qual teria sido a resposta dos italianos caso
eles tivessem sido desclassificados.
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| 12. Davie Dodds em ação contra a Roma no jogo da volta em território italiano (Getty Images) |
Qualquer um com dúvidas do que poderia acontecer
deveria considerar o comentário feito por um homem que não era conhecido pelo
exagero das suas declarações: “Há vezes
em eu sinto que poderíamos ser o time na final, mas, se assim fosse, eu não
estaria vivo hoje”, declarou McLean.
Embora, em retrospecto, nada associado à experiência
italiana do United surpreendeu mais do que a revelação, dois anos depois, que
um dirigente da Roma havia tentado subornar o árbitro da partida, o francês
Michel Vautrot, antes da segunda partida.
Este foi um fato que ainda teve a capacidade de
chocar. A Uefa suspendeu Riccardo Viola de todas as atividades desportivas por
quatro anos e o próprio clube foi banido por um ano das competições europeias.
Mas, numa típica fraqueza da Uefa para lidar com
grandes clubes, a punição, mais tarde, foi comutada para uma multa, algo que
até mesmo o jornal italiano Gazzetta
Dello Sport descreveu como “uma decisão escandalosa”.
Também há que se dizer que não há evidência que
Vautrot aceitou o suborno e, é justo também asseverar, que não aparenta que ele
tenha influenciado no resultado durante a partida.
Ele invalidou um gol da Roma no primeiro tempo porque
anotou uma falta que aconteceu na construção da jogada e o pênalti que ele
marcou para os romanos foi claro, não deixando margem para maiores dúvidas sobre
sua marcação.
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| 13. Agostino Di Bartolomei cobrando o pênalti que eliminou os Tangerines da competição (Site Old Scottish Football) |
Tão chocantes quanto os fatos revelados foi a posição
de McLean, que não deu grande crédito e nem abriu espaço para lamentos,
declarando, inequivocamente, que a razão pela qual o United perdeu foi
simplesmente pela incapacidade dos jogadores de lidarem com a situação na
capital italiana.
McLean declarou: “Tudo
o que eu sei é que nós não jogamos bem. Jogamos muito bem em Tannadice.
Possivelmente nós merecemos inda mais do que o resultado alcançado na primeira
partida, mas nós tivemos exatamente o que merecemos no Stadio Olimpico.
Provavelmente dez
dos nossos onze jogadores não jogaram o seu melhor futebol naquela noite. E
isto nos custou a vaga na final da European Cup daquela temporada”.
Contudo, embora aquele episódio tenha deixado um gosto
amargo na boca, isto foi meramente um caso de sordidez que o United vivenciou.
Mas a
controvérsia com a conduta desprezível dos italianos obscureceu a façanha do
United, que alcançou a semifinal do principal torneio europeu de clubes na sua
primeira tentativa.
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| 14. Sebastiano Nela e Toninho Cerezo ofendendo o treinador Jim McLean (Daily Mail) |
Ficha
técnica partida:
Dundee United 2 (Davie Dodds, Derek Stark) AS Roma 0
Primeira
partida das semifinais da European Cup
Local: Tannadice
Park
Data: 11 de
abril de 1984
Público: 20.543
Dundee United: Hamish
McAlpine, Derek Stark, Maurice Malpas, Richard Gough, Paul Hegarty, Dave Narey,
Eamonn Bannon, Ralph Milne, Billy Kirkwood, Paul Sturrock (Tommy Coyne), Davie
Dodds.
AS Roma: Franco
Tancredi, Emidio Oddi, Ubaldo Righetti, Sebastiano Nela, Agostino Di Bartolomei,
Aldo Maldera, Bruno Conti, Toninho Cezero, Roberto Pruzzo, Odoacre Chierico, Francesco
Graziani. *
* Dundee
United’s Greates Games – Mike Watson ©.
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| 15. Jogadores da Roma provocando o treinador Jim McLean e o seu assistente Walter Smith após o término do jogo (Daily Mail) |
Tradução: Sandro Pontes















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