terça-feira, 15 de setembro de 2020

Dundee United 2 AS Roma 0 – European Cup 1984

O Dundee United, clube que, ao lado do Aberdeen, desafiou a primazia da dupla Old Firm no começo dos anos 1980s, disputou a sua primeira European Cup, atual Champions League, na temporada 1983-84.

Embora debutante no principal torneio de clubes europeus, os Tangerines já tinham relativa experiência em competições europeias tendo, inclusive, chegado à fase de quartas de final das duas últimas temporadas da Uefa Cup.

E nesta primeira participação os Arabs foram adiante, pois chegaram às semifinais da competição, quando enfrentaram a AS Roma, dois dos jogos mais importantes da história do clube de Tannadice (mas especialmente o primeiro).

E é justamente na primeira partida que nos desbruçaremos logo em breve: a campanha do United a até a chegada do confronto com a Roma, o jogo, uma das maiores exibições continentais da história do clube, a possibilidade de uma final britânica, a truculência dos italianos na volta, enfim tem várias histórias interessantes que contribuíram para um dos momentos mais icônicos da história do Dundee United…

Maiores detalhes abaixo.

1. Jim McLean é erguido em glória no Dens Park após o término do jogo que garantiu o título da Premier Division (SNS Group)

O verão de 1983 testemunhou o pouso suave de volta à terra dos jogadores e torcedores do United em seguida às fortes emoções do último dia da temporada anterior no Dens Park, quando os Tangerines bateram o rival local por 2 a 1 no dia 14 de maio e garantiram o título da Premier Division.

Gradualmente os pensamentos começaram a se voltar para a nova campanha e pela perspectiva do United agitar a bandeira da Escócia na European Cup.

O original e mais tradicional dos três torneios interclubes europeus organizados pela Uefa, o European Champions Clubs Cup, seu nome completo, teve a sua edição inaugural em 1955. Nesta primeira temporada do novo torneio o representante da Escócia foi o Hibernian - não que os Hibs tenham sido campeões, mas sim porque eles eram o único clube que tinha os refletores adequados para a competição.

O United se tornou o sétimo a participar do torneio continental como campeão da Escócia, mas o clube pode alegar, justamente, que já tinha certo aprendizado europeu em competições continentais, tendo disputado 46 partidas ao longo de 11 disputas eliminatórias desde 1966. 

A European Cup era o torneio principal do continente, mas só era elegível um clube por país, logo a quantidade de clubes era menor do que na Uefa Cup. Como o United tinha alcançado as quartas de final da Uefa Cup nas duas temporadas anteriores, era compreensível que Jim McLean e seus jogadores acreditassem que estavam bem preparados para os desafios que os esperavam.

2. Capa do programa oficial da partida contra o Rapid Vienna (Site The Arab Archive)

A rodada de inicial presentou o United com uma introdução relativamente simples quando foi sorteado para enfrentar o campeão de Malta, Hamrun Spartans. Duas vitórias por 3 a 0 abriram a porta para um oponente mais formidável que era o Standard Liege.

Foi a segunda vez que o United foi sorteado para enfrentar os belgas, pois cinco anos atrás, os clubes se enfrentaram pela Uefa Cup com o Liege avançando após marcar o único gol de duas partidas ferrenhamente disputadas (1 a 0 na Bélgica e 0 a 0 na Escócia em 12 e 27 de setembro de 1978, respectivamente).

Mas desta vez foi diferente. O United tinha crescido em termos europeus desde aquele encontro anterior e, através de uma performance segura em solo belga, conseguiu garantir um empate por 0 a 0.

Em Tannadice os Tangerines exibiram 90 minutos de um futebol exuberante. O Liege foi desmembrado quando Ralph Milne produziu outra performance excepcional, marcando duas vezes na vitória por 4 a 0 que levou o Dundee United ao centro do palco europeu novamente (Paul Hegarty e David Dodds marcaram os outros gols da noite).

Este resultado significou que o United havia alcançado uma fase de quartas de final de competições europeias pela terceira temporada consecutiva, embora ninguém em Tannadice imaginaria que nesta ocasião poderia ser melhor que nas outras vezes.

O próximo oponente seria o Rapid Vienna, mas por causa das outras competições paralelas à European Cup, seguiu-se uma lacuna de quatro meses até que as partidas fossem disputadas.

3. Capa do programa oficial da partida contra a Roma (Site The Arab Archive)

Se o estilo foi o passaporte para as quartas de final, uma verdadeira tarefa titânica foi necessária para se classificar à fase seguinte do torneio, quando o campeão austríaco se revelou duro na queda.

Após sofrer uma pressão enorme dos anfitriões do Danúbio na etapa inicial da primeira partida do confronto, Derek Stark foi às redes para dar um valiosíssimo gol marcado fora de casa que valeria o seu peso em ouro ao término das duas partidas.

Mas o Rapid melhorou, ainda mais, o seu poderio ofensivo na segunda etapa do confronto e finalmente conseguiu o seu prêmio quando marcou dois gols nos minutos finais de jogo - Max Hagmayr aos 76 e Zlatko Kranjčar aos 86 minutos -, mas pode se dizer que os Arabs não saíram exatamente insatisfeitos com a derrota por 2 a 1 obtida naquele 7 de março de 1984.

Duas semanas depois um ansioso público de 18.865 espectadores compareceu a Tannadice e não ficou desapontado. Embora estivesse muito claro que os Arabs deveriam marcar um gol para avançar às semifinais, havia uma importante ressalva para o alcance deste objetivo: eles não podiam conceder nenhum gol ao adversário naquela noite.

Durante o jogo as coisas funcionaram muito bem. Davie Dodds marcou aos 21 minutos e, embora o Rapid tenha exercido uma grande pressão contra a defesa do United para marcar o que eles acreditavam seria o gol da classificação, os Arabs se seguraram para se tornar um dos quatro clubes restantes na European Cup.

Agora seria o tempo do sorteio final e os outros três possíveis adversários do United eram a AS Roma, o Dinamo Bucharest e o Liverpool. Esta foi a primeira vez, desde 1963, que a cidade forneceu um semifinalista de European Cup – o Dundee esteve nesta fase, enfrentando o AC Milan.

4. Ingresso da partida (Site The Arab Archive)

Os adversários locais foram derrotados pelo AC Milan (5 a 1 para os italianos no San Siro e vitória por 1 a o do Dundee no Dens Park) e, num espaço de 21 anos, coincidentemente, o United foi sorteado para enfrentar um adversário italiano.

Contudo, as coincidências param por aí, primeiramente porque o United jogaria a primeira partida das semifinais em casa e, em segundo lugar, porque a AS Roma não tinha a mesma reputação para se igualar com aquele AC Milan dos anos 1960s.

Apesar a AS Roma tenha conquistado a Inter-Cities Fairs Cup em 1961, o clube não tinha um pedigree europeu e, como o United, era a primeira vez que os romanos participavam da European Cup.

Dito isto, qualquer clube coroado campeão da Série A representava um adversário formidável e, além disso, a AS Roma tinha dois membros do time da Itália campeão da Copa do Mundo de 1982, Conti e Grazianni, bem como dois brasileiros, Cerezo e Falcão, que representaram o seu país na fase final daquela Copa do Mundo na Espanha.

E havia outro fator que tornava a tarefa do United hercúlea contra os italianos. Antes do início da competição foi decidido que o Stadio Olimpico recepcionaria o final do torneio naquela temporada, portanto a AS Roma teria a rara oportunidade de disputar a joia da coroa europeia em sua própria casa o que, por si só, era um poderoso fator de motivação para os romanos.

Houve um tremendo interesse na partida e o preço dos ingressos refletiu o alvoroço causado pelo confronto. Os valores dos ingressos foram dobrados, passando de £5 para £10 nas arquibancadas, produzindo uma receita recorde em Tannadice, que alcançou a cifra de £120.000.

5. Flâmula da partida entre a AS Roma e os Arabs em Tannadice (Site AS Roma Ultras)

Houve certa reação contrária dos torcedores ao súbito aumento de preços, mas o clube adotou uma solução no sentido de permitir que os detentores de carnê da temporada entrassem sem pagar na partida de Premier Division, do próximo fim de semana, que seria contra o St Johnstonne.

A ocasião dificilmente será esquecida pelos privilegiados que testemunharam a partida em Tannadice. A ausência de Falcão, por estar lesionado, certamente não foi lamentada pelos Arabs, mas os italianos rapidamente demonstraram que eles não pretendiam utilizar uma estratégia defensiva em território escocês.

De fato isto se comprovou quando o primeiro lance de perigo foi executado por eles, quando Odoacre Chierico se desvencilhou da defesa dos Arabs e desferiu um violento chute cruzado que passou rente à trave defendida por Hamish McAlpine.

Aos sete minutos de jogo foi a vez do United chegar perto de abrir o marcador: Milne cobrou uma falta rente à trave do goleiro romano Franco Tancredi, mas este conseguiu executar uma grande defesa e mandou a bola para escanteio.

Mas então as faltas passaram a acontecer com certa frequência, embora não violentas, de ambas as partes o que tornava o jogo, em alguns momentos, muito truncado e com os times apelando para os lançamentos pelo alto em profundidade tanto que Hamish McAlpine, em determinado lance, correu para fora da sua área para cabecear uma bola e trazer certo alívio para a defesa, pois o alvo do lançamento longo era Roberto Pruzzo, então anulado pela intervenção providencial do goleiro.

Depois deste momento de interrupções pelas falta, as jogadas retornaram a fluir com mais naturalidade do que McLean poderia esperar e ele pode ter ficado muito preocupado quando, aos 25 minutos, a Roma perdeu uma grande oportunidade de abrir o placar.

6. Davie Dodds, o herói do primeiro gol em Tannadice (Getty Images)

Chierico levantou uma bola em jogada pela ponta esquerda e Francesco Graziani se antecipou a Richard Gough, cabeceando a bola na trave de McAlpine. O perigo foi afastado, mas o aviso para o United foi claro: a Roma estava determinada a marcar um importantíssimo gol fora de casa.

O restante do primeiro tempo viu os times conseguindo cancelar os esforços contrários para chegar às respectivas metas e, para McLean, o intervalo forneceu a oportunidade de instilar nos seus jogadores a importância deles aumentarem o seu tempo de domínio da bola a um nível a que os italianos não estavam acostumados a lidar normalmente.

A partir do reinício da partida os Tangerines injetaram um ritmo de jogo que a Roma não conseguiu lidar e foram nos primeiros minutos do segundo tempo que o gol de abertura do placar foi criado.

Paul Hegarty começou a comandar as ações do meio de campo, quando o United passou a dominar o jogo. Richard Gough avançou pela direita, evitando as tentativas de faltas dos jogadores romanos antes de cruzar uma bola para o lado oposto da grande área que venceu a defesa da Roma.

A bola chegou até Eamonn Bannon, cujo chute ao gol rebateu num dos jogadores da Roma postados à na linha da pequena área e se ofereceu a Paul Sturrock, que acompanhava o desfecho da jogada. Sturrock dominou a bola e, como não tinha a oportunidade dele mesmo desferir o chute, rolou para trás na direção de Dodds, que disparou um chute muito bem colocado que entrou próximo à trave esquerda de Tancredi, decretando a abertura do placar para os Tangerines.

Este primeiro gol aconteceu aos 48 minutos de partida e inflamou o público local enquanto deixou os italianos trocando olhares acusatórios e, em alguns casos, palavras. O United sabiamente aumentou o ritmo e passou a pressionar ainda mais os visitantes e tal estratégia foi maravilhosamente recompensada 12 minutos depois.

7. Davie Dodds, à esquerda, comemorando o seu gol marcado no jogo (The Scottish Sun)

Novamente Strurrock foi o artífice da jogada quando dominou a bola, em cobrança de lateral, na ponta esquerda do campo próximo à grande área romana, e girou protegendo a bola do avanço dos adversários enquanto se afastava do gol de Tancredi voltando na direção oposta, conseguiu tocar para Derek Stark.

O lateral, que vinha na corrida, chutou com violência, a uns 20 metros de distância, a bola que pegou efeito e quicou no chão já próxima dum atônito e sem reação Tancredi, que não pôde fazer nada, exceto pegar a bola nos fundos das redes para o reinício do jogo diante do rugido de júbilo da torcida dos Tangerines.

Estes gols foram marcados diante dos 1.000 torcedores da Roma, até agora, muito ruidosos, mas, especialmente o segundo gol, compreensivelmente os calou. A Roma tentava segurar o jogo enquanto o United forçava para conseguir um terceiro gol para levar uma vantagem ainda maior para o território italiano.

Milne, que praticamente passou despercebido no primeiro tempo, passou a rondar a área romana e ainda teve um chute, desferido da entrada da área, desviado para escanteio. Ele mesmo cobrou o escanteio na direção de Hegarty, que cabeceou alto da entrada da área e a bola foi caindo e quase surpreende Tancredi, que a espalmou para escanteio.

Outra coisa que chamou a atenção foi o fato de Chierico, o melhor jogador da Roma, ser advertido com uma cartão amarelo por causa de uma falta violenta do meio-campista italiano em Banonn. Isto mostra o quão eclipsados os romanos foram naquela noite.

Não houve mais gols até o fim do jogo, especialmente em virtude dos italianos se fecharem na defesa para limitar o estrago já feito e garantir a sobrevivência na rodada após o apito final.

8. Card de Derek Stark (eBay)

McLean explicou o que foi feito para dinamizar a performance do United no segundo tempo: “Eu disse aos jogadores, durante a pausa do intervalo, que eles estariam fora do torneio se as coisas permanecessem deste jeito e continuassem relaxados no segundo tempo. E a resposta foi maravilhosa… eles marcaram dois gols fantásticos, mas merecíamos muito mais, porém agora estamos a 90 minutos da glória”.

Nils Liendholm, treinador da Roma, que parecia abalado com o resultado de Tannadice, declarou: Nós perdemos Falcão para esta partida, em virtude de contusão, mas eu acho que os meus jogadores estavam conseguindo equilibrar as ações até o United marcar os dois gols”.

Mas ele adicionou ameaçadoramente: “Falcão deve estar apto para jogar em Roma e ele, certamente, fará uma grande diferença”.

Tal foi o poderio ofensivo do United no segundo tempo que o presidente da Roma chegou a insinuar que os homens de tangerina estariam dopados. Devido ao estilo mais lento do futebol italiano é perfeitamente compreensível que os romanos ficaram desconcertados diante da velocidade dos escoceses, mas o que envenenou o clima para a volta foram os comentários pós-jogo, uma tendência que foi repetida à exaustão até a segunda partida – e continuou mesmo após o término do segundo confronto.

O que aconteceu depois?

É tentador dizer “não relembre”, mas os eventos no Stadio Olimpico foram, por razões totalmente distintas, tão inesquecíveis quanto àquelas em Tannadice.

9. Página de revista com fotos dos capitães trocando cumprimentos e de Dodds e Stark, autores dos gols (Site AS Roma Ultras)

Numa partida que é a segunda em importância na história do clube, só perdendo para aquela em que o clube conquistou o título da Premier Division no fim da temporada anterior, McLean conseguiu o conselho e a assistência de um homem que sabia não somente como alcançar um final de European Cup, mas conquistá-la, também.

Jock Stein, treinador da Escócia, viajou com a delegação do United para Roma, dentro de uma atmosfera nunca antes testemunhada.

No caldeirão que se transformou o Stadio Olimpico, os 500 torcedores do United tiveram que ser removidos para outra parte do estádio pela polícia, para sua própria segurança, antes do apito inicial e, quando os jogadotes dos Tangerines subiram para fazer o aquecimento pré-jogo foram atigindos por laranjas e outros objetos menos duros.

Pode até parecer estranho, hoje em dia, que eles não ficaram de todo intimidados pela onda de ódio que vinha das arquibancadas. Ela era um pouco menos intensa do que a demonstrada pelos jogadores da Roma e o seu banco de reservas.

Este, entretanto, não é nenhum tipo de acusação ao United sugerir que a determinação para alcançar a final era maior entre os jogadores da Roma, pois para eles era uma espécie de prêmio poder disputar a final em seu próprio gramado, algo que eles consideravam como um sinal do destino.

Não que os jogadores do United tenham desistido de lutar pelo seu objetivo de chegar à final, mas aquela noite simplesmente não foi uma das suas melhores em termos de partidas europeias e, sem dúvida, eles foram sobrepujados naquele confronto.

10. Capa do programa oficial e ingresso da partida contra a Roma em território italiano (eBay)

Ainda que os homens de McLean pudessem ter ampliado a sua vantagem geral para três gols no começo da partida quando a bola cruzada por Bannon, na linha de fundo, escapou do peixinho de Dodds, mas ainda assim, inesperadamente, caiu nos pés de Milne.

Contudo, Milne, que poderia ter dominado a bola e escolhido uma melhor jogada, prontamente chutou e viu a bola se perder pela linha de fundo por cima da trave.

Aquela acabaria sendo a única oportunidade do United no jogo. A Roma igualou o placar agregado da partida ainda no primeiro tempo, com gols aos 21 e aos 38 minutos e um pênalti, lá pela metade do segundo tempo, garantiu o placar que os romanos necessitavam para avançar à final do torneio.

A improvável aparição do Dundee United na final da European Cup não aconteceu. E num evento em que os romanos não conseguiram traduzir a vantagem de jogar a final em casa numa vitória, foram derrotados pelos inlgeses do Liverpool.

O Liverpool tinha um nível mundial e, talvez, uma força mental um pouco mais firme para não ser intimidado pelo tipo de artimanhas que o United sofreu, tendo a decisão terminado empatada em 1 a 1 após a prorrogação.

Para a alegria incontida de todos aqueles de alguma forma envolvidos com o United, o clube inglês ganhou a disputa de pênaltis, deixando os italianos com o que eles precisamente mereciam: nada!

11. Torcida romana e várias faixas almadiçoando os Tangerines no Stadio Olimpico (Alessandra Bianchi)

A exibição de ódio que McLean e o seu assistente, Walter Smith, foram submetidos foi de tal intensidade que eles tiveram que correr do gramado para os vestiários acossados e ofendidos por jogadores da Roma, seguranças e torcedores após o término do jogo.

Esta humilhação é atribuída a uma campanha difamatória incentivada pela imprensa italiana a partir do fim da primeira partida.

O treinador diria, mais tarde, que aquela experiência o deixou um tanto quanto apavorado, ainda que ele não tenha deixado transparecer literalmente durante a ocorrência dos fatos, esta foi uma dura provação pela qual ele teve que passar.

E as coisas não foram as melhores para os jogadores. Sturrock relembra: “Conforme nós deixávamos o campo, fomos objeto de uma torrente de abusos e ofensas feitos pelos jogadores e dirigentes da Roma. Todos nós recebemos cusparadas até chegarmos ao santuário que era os nosso vestiário”.

E aquele vandalismo veio por parte dos vencedores. A partir disso vocês podem imaginar qual teria sido a resposta dos italianos caso eles tivessem sido desclassificados.

12. Davie Dodds em ação contra a Roma no jogo da volta em território italiano (Getty Images)

Qualquer um com dúvidas do que poderia acontecer deveria considerar o comentário feito por um homem que não era conhecido pelo exagero das suas declarações: “Há vezes em eu sinto que poderíamos ser o time na final, mas, se assim fosse, eu não estaria vivo hoje”, declarou McLean.

Embora, em retrospecto, nada associado à experiência italiana do United surpreendeu mais do que a revelação, dois anos depois, que um dirigente da Roma havia tentado subornar o árbitro da partida, o francês Michel Vautrot, antes da segunda partida.

Este foi um fato que ainda teve a capacidade de chocar. A Uefa suspendeu Riccardo Viola de todas as atividades desportivas por quatro anos e o próprio clube foi banido por um ano das competições europeias.

Mas, numa típica fraqueza da Uefa para lidar com grandes clubes, a punição, mais tarde, foi comutada para uma multa, algo que até mesmo o jornal italiano Gazzetta Dello Sport descreveu como “uma decisão escandalosa”.

Também há que se dizer que não há evidência que Vautrot aceitou o suborno e, é justo também asseverar, que não aparenta que ele tenha influenciado no resultado durante a partida.

Ele invalidou um gol da Roma no primeiro tempo porque anotou uma falta que aconteceu na construção da jogada e o pênalti que ele marcou para os romanos foi claro, não deixando margem para maiores dúvidas sobre sua marcação.

13. Agostino Di Bartolomei cobrando o pênalti que eliminou os Tangerines da competição (Site Old Scottish Football)

Tão chocantes quanto os fatos revelados foi a posição de McLean, que não deu grande crédito e nem abriu espaço para lamentos, declarando, inequivocamente, que a razão pela qual o United perdeu foi simplesmente pela incapacidade dos jogadores de lidarem com a situação na capital italiana.

McLean declarou: “Tudo o que eu sei é que nós não jogamos bem. Jogamos muito bem em Tannadice. Possivelmente nós merecemos inda mais do que o resultado alcançado na primeira partida, mas nós tivemos exatamente o que merecemos no Stadio Olimpico.

Provavelmente dez dos nossos onze jogadores não jogaram o seu melhor futebol naquela noite. E isto nos custou a vaga na final da European Cup daquela temporada”.

Contudo, embora aquele episódio tenha deixado um gosto amargo na boca, isto foi meramente um caso de sordidez que o United vivenciou.

Mas a controvérsia com a conduta desprezível dos italianos obscureceu a façanha do United, que alcançou a semifinal do principal torneio europeu de clubes na sua primeira tentativa.

14. Sebastiano Nela e Toninho Cerezo ofendendo o treinador Jim McLean (Daily Mail)

Ficha técnica partida:

Dundee United 2 (Davie Dodds, Derek Stark) AS Roma 0

Primeira partida das semifinais da European Cup

Local: Tannadice Park

Data: 11 de abril de 1984

Público: 20.543

Dundee United: Hamish McAlpine, Derek Stark, Maurice Malpas, Richard Gough, Paul Hegarty, Dave Narey, Eamonn Bannon, Ralph Milne, Billy Kirkwood, Paul Sturrock (Tommy Coyne), Davie Dodds.

AS Roma: Franco Tancredi, Emidio Oddi, Ubaldo Righetti, Sebastiano Nela, Agostino Di Bartolomei, Aldo Maldera, Bruno Conti, Toninho Cezero, Roberto Pruzzo, Odoacre Chierico, Francesco Graziani. *

* Dundee United’s Greates Games – Mike Watson ©.

15. Jogadores da Roma provocando o treinador Jim McLean e o seu assistente Walter Smith após o término do jogo (Daily Mail)
   
Tradução: Sandro Pontes

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