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sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Newcastle United – Temporada 1995-96

O Manchester United, atualmente clube mais vencedor da Liga inglesa, após um jejum de 26 anos sem títulos nacionais voltou a conquistar o troféu justamente quando houve a mudança da velha First Division para a Premier League (temporada 1992-93).

Os Red Devils, até aquela temporada, já haviam conquistado os seguintes títulos recentes: duas Ligas (1992–93, 1993–94), duas FA Cups (1989–90 e 1993–94) e uma Copa dos Vencedores de Copas Europeias na temporada de 1990-91.

Todos esses títulos sob a batuta do inigualável Alex Ferguson.

Obviamente, se havia uma grande equipe a ser temida no futebol inglês naquela época, esta era o Manchester United.

1. Asprilla, em ação contra o Liverpool, foi a contratação que implodiu as chances de título dos promissores Magpies (Getty Images)

O Newcastle United, um dos clubes mais populares da Inglaterra, no início do Século XX era um dos mais vencedores até metade dos anos 1950s com quatro títulos de Liga (1904–05, 1906–07, 1908–09 e 1926–27) e seis conquistas de FA Cup (1910, 1924, 1932, 1951, 1952 e 1955) vinha de um jejum de 69 anos sem conquistar a Liga.

A diferença, desta para outras temporadas, é que Kevin Keegan conseguiu montar um time muito forte para a temporada contando com jogadores como Peter Beardsley, Les Ferdinand e David Ginola entre outros.

O fato é que o time engrenou e, em determinada parte do campeonato, os Magpies chegaram a liderar com 12 pontos de vantagem sobre o vice-líder, mas uma contratação equivocada, no caso Faustino Asprilla, pôs tudo a perder o que parecia ser uma conquista tranquila...

Antes de passarmos para a narrativa do texto que fecha a série, alguns esclarecimentos são necessários:

2. Pôster com a canção One for Sorrow (Pinterest)

A mascote do Newcastle é um corvo (mais precisamente uma pega, ave que pertence à família dos corvos, mas é melhor deixar como corvo mesmo), lá conhecido como magpie e o seu diminutivo pode ser “mag”.

Esta explicação toda apenas para que vocês entendam o título que o autor original deu à narrativa sobre os Magpies, “Mags, one for sorrow”, em tradução literal “Mags, um pela tristeza”.

Mas aí também, para quem não conhece bem a cultura inglesa ainda fica um título sem sentido.

Então, após pesquisar, descobriu-se que é uma música infantil antiga (também conhecida como cantiga de roda), cuja origem remonta ao ano de 1780 (fonte: Wikipedia)!

A letra moderna é a seguinte:

Um pela tristeza,
Dois pela alegria,
Três por uma garota,
Quatro por um garoto,
Cinco pela prata,
Seis pelo ouro,
Sete por um segredo,
Jamais dito.
Oito por um desejo,
Nove por um beijo,
Dez por um pássaro,
Que você não pode perder.

3. Galgo inglês (Deposit Photos)

Finalmente há, no texto, a menção ao galgo na frase “...galgo caçando um coelho”.

Galgo nada mais é que um cão de corrida, o mais rápido deles, chegando a atingir 72 km/h.

Inicialmente eles eram usados para caçar lebres, esta a razão da referência do autor do texto original: o Manchester United começou a perseguir o Newcastle como um galgo implacável perseguia uma lebre (colocaremos uma imagem para vocês vejam o cão).

Agora passemos à narrativa principal sobre o martírio dos Magpies.

Boa leitura.

4. David Ginola (Sporting Heroes Net)
  
Mags, um pela tristeza

Em janeiro de 1996 toda Newcastle estava ansiosa pela maior festa da história da cidade.

Embora o seu amado United não ganhasse o campeonato desde 1927, ele se encontrava ali, liderando a Premiership com enormes 12 pontos de vantagem.

Mas, então, eles se viram forçados a assistir, horrorizados, quando suas chances de título lentamente sangraram até a morte.

5. David Ginola em ação contra os Red Devils, de Eric Cantona, em St James Park em 4 de março de 1996 (Chronicle Live)

Os ferimentos foram, parte auto-infligidos, parte feitos pelo eventual campeão, o Manchester United.

Talvez o maior fator da implosão do Newcastle tenha sido a precipitada contratação de Faustino Asprilla.

Naquela altura, quando o treinador dos Geordies, Kevin Keegan, só tinha que manter o barco com a quilha estável até o mês de maio, ele esbanjou £7 milhões no turbulento colombiano.

6. Peter Beardsley (Pinterest)

Até a chegada de Asprilla, Keegan tinha acertado o ataque com Peter Beardsley, Les Ferdinand, Keith Gillespie e David Ginola fornecendo uma linha ofensiva poderosa e insinuante.

Mas Tino foi um coringa em demasiado.

Se você consegue identificar um momento em que as coisas penderam para Manchester, esta seria a noite de 4 de março.

7. David Platt e Peter Beardsley disputam a bola em partida válida pela FA Cup no estádio de Highbury em 1º de abril de 1996 (Getty Images)

Os dois Uniteds batalhariam em St James Park e, na maior parte da noite, o Newcastle açoitou a meta defendida por Peter Schmeichel.

Mas a defesa vermelha se manteve firme, Eric Cantona marcou no contra-ataque e os homens de Alex Ferguson levaram os pontos em disputa.

Daquele momento em diante o Manchester United grudou no Newcastle United como um galgo caçando um coelho.

8. Rob Lee (Sporting Heroes Net)

Antes do último dia da temporada Keegan, memoravelmente, destacou que Ferguson tinha que ir até Middlesbrough e conseguir alguma coisa por lá.

E o escocês conseguiu; e Andy Cole, o homem que Keegan controvertidamente vendera para Ferguson por £7 milhões, marcou um dos gols.

Rob Lee escreveu em sua autobiografia ‘Entre no nº 37’: “A temporada 1995-96 será para sempre lembrada como uma das quais o Newcastle jogou fora a primeira oportunidade real do clube assegurar o título da Liga em 69 anos. E ainda mantenho a opinião de que foi mais uma vitória do Manchester United do que uma derrota nossa”.

9. Rob Lee e Jamie Redknapp disputam a bola no jogo entre as duas equipes pela Liga em 3 de abril de 1996 (Getty Images)
  
Ele tinha um ponto de vista.

Inspirado por Cantona, que tinha iniciado a temporada em outubro em virtude da sua demonstração de artes marciais em Selhurst, o Manchester United ganhou 13 dos seus últimos 15 jogos.

Artilheiro da equipe: Les Ferdinand, 25 gols.

10. Les Ferdinand (Pinterest)
  
Les inseriu o seu nome à lista de lendários camisas 9 de Tyneside na sua temporada dourada.

Ele deliciou-se com uma dieta de cruzamentos sem parar de David Ginola e Keith Gillespie e das jogadas em profundidade com Peter Beardsley.

Os seus 25 gols marcados renderam a Ferdinand o prêmio de Jogador do Ano concedido pela Associação dos Jogadores Profissionais.

11. Les Ferdinand em ação contra o Ferencvaros na partida de Copa da Uefa disputada em 29 de outubro de 1996 (Magpies Zone)

Jogadores-chave: David Ginola, Peter Beardsley, Rob Lee, Les Ferdinand, Keith Gillespie.

Colocação final dos seis primeiros colocados na temporada 1995-96 (38 partidas disputadas, cada vitória valendo 3 pontos):

1º Manchester United – 82 Pontos; 25 vitórias; 7 Empates; 6 Derrotas; 73 Gols Marcados; 35 Gols Sofridos;

2º Newcastle United – 78 Pontos; 24 vitórias; 6 Empates; 8 Derrotas; 66 Gols Marcados; 37 Gols Sofridos;

12. Card de Keith Gillespie (eBay)

3º Liverpool – 71 Pontos; 20 vitórias; 11 Empates; 7 Derrotas; 70 Gols Marcados; 34 Gols Sofridos;

4º Aston Villa – 63 Pontos; 18 vitórias; 9 Empates; 11 Derrotas; 52 Gols Marcados; 35 Gols Sofridos;

5º Arsenal * – 63 Pontos; 17 vitórias; 12 Empates; 9 Derrotas; 49 Gols Marcados; 32 Gols Sofridos; e

13. Keith Gillespie em ação contra Rod Wallace, do Leeds United, na partida disputada entre as duas equipes em 21 de setembro de 1996 em Elland Road (Getty Images)

6º Everton – 61 Pontos; 17 vitórias; 10 Empates; 11 Derrotas; 64 Gols Marcados; 44 Gols Sofridos.

* O Arsenal, embora empatado no número de pontos com o Aston Villa, ficou na 5ª colocação por ter uma vitória a menos que o seu adversário (17 contra 18).

** Alex Murphy © Revista Total Football ©.

14. Kevin Keegan (Mirror UK)

Tradução: Sandro Pontes

Heart of Midlothian – Temporada 1985-86

A dupla de Old Firm é dominante quase que absoluta do futebol escocês e, exceto por um breve período entre o fim dos anos 1970s e meados dos anos 1980s quando a supremacia deles foi desafiada pelo o que veio a ser conhecido como New Firm (Aberdeen e Dundee United) que, graças ao dinheiro oriundo do petróleo no nordeste da Escócia conseguiram financiar boas equipes que suplantaram, mesmo que temporariamente, a hegemonia Old Firm.

No meio deste contexto é que surge o Heart of Midlothian ou, simplesmente, Hearts, um clube da capital Edimburgo que conseguiu reunir uma excelente equipe para tentar também se aproveitar do momento de letargia da dupla Old Firm.

Entre os destaques do time estavam Sandy Jardine, multicampeão pelos Rangers, Craig Levein e John Robertson, que viria a se tornar o maior artilheiro da história do clube.

Nesta temporada os Hearts tentavam quebrar um tabu de que perdurava desde a temporada 1959-60: ser campeão da Liga (o clube detém quatro títulos de Liga 1894–95, 1896–97, 1957–58 e 1959–60)!

1. Sandy Jardine, a maior estrela dos Hearts na época (Pinterest)

E as coisas andavam muito bem desde 21 de dezembro quando o time assumiu a liderança da competição e também ia de vento e popa na Scottish Cup, torneio este onde chegaram na final, ou seja, além de ser campeão da Liga ainda havia a possibilidade real de um Double!

Ao chegar à última rodada, dependendo apenas de um empate para sagrar-se campeão, os Hearts viajaram até o Dens Park para enfrentar o Dundee, enquanto o Celtic foi até Love Street para encarar o St Mirren precisando vencer e ainda torcer para uma mais do que improvável derrota dos Hearts...

Tudo se encaminhava para uma final feliz para os Hearts, mas uma hecatombe sucumbiu sobre suas cabeças faltando apenas sete minutos para o fim da partida e o que parecia estar destinado à glória terminou de maneira trágica conforme vocês verão na matéria abaixo.

Antes de irmos à narrativa, propriamente dita, vale um esclarecimento sobre um trecho onde o autor original se expressou da seguinte maneira “tortura digna de um Torquemada”.

Afinal de contas quem foi Torquemada? Como nem todos têm o conhecimento da História lançamos, mais uma vez, mão da Wikipedia:

2. Alex Ferguson consola Sandy Jardine após os Hearts serem derrotados por 3 a 0 na final da Scottish Cup de 1986 (Getty Images)

Tomás de Torquemada (1420 — Ávila, 16 de setembro de 1498) ou “O Grande Inquisidor” foi o inquisidor-geral dos reinos de Castela e Aragão no século XV e confessor da rainha Isabel a Católica.

Torquemada é conhecido por sua campanha contra os judeus e muçulmanos convertidos da Espanha, onde a Inquisição infligiu aos hereges as mais inimagináveis torturas”.

Feito este esclarecimento, passemos ao drama dos Hearts sem mais delongas.

Boa leitura.

3. Craig Levein (London Hearts)

Corações Partidos dos Hearts

A temporada do Heart of Midlothian terminou da forma mais torturante, os últimos dias da campanha forneceram tortura digna de um Torquemada.

O clube de Edimburgo liderou a Scottish Premier Division por cinco sólidos meses somente para ser derrubado no último dia, nos últimos sete minutos!

Para completar a sua agonia, também perderam a final da Scottish Cup por 3 a 0 para o Aberdeen de Alex Ferguson no Hampden Park.

O Double se tornou poeira e Fergie, solidário com os oponentes do seu time, declarou: “Esta temporada pertence aos Hearts, ainda que eles a tenham terminado sem nenhum troféu”.

4. Craig Levein, no alto, afasta uma bola da sua área na vitória de 1 a 0 sobre o Aberdeen em Pittodrie em 1986 (Daily Record)

Somente a extraordinária resiliência e determinação do tipo “nunca desistir” do Celtic é que impediu os Hearts de capturarem o seu primeiro título em cerca de um quarto de século.

Eles chegaram ao topo da tabela de classificação no dia 21 de dezembro e embarcaram numa campanha de 27 partidas invictas que durou durante todo o período até maio.

Isso significava que eles precisavam somente de um ponto da sua partida final na temporada, fora de casa, contra o modesto Dundee.

Mas eles escolheram este dia dos dias para errar.

5. Card de Henry Smith (Pinterest)

O placar no Dens Park permaneceu em 0 a 0 até os 84 minutos, mas então o Dundee marcou duas vezes para vencer a partida por 2 a 0.

Até então, o Celtic tinha que esmagar o St Mirren em Love Street para ter uma chance remota de ganhar o título pelo saldo de gols.

Os Bhoys conseguiram, ao golear o seu oponente por 5 a 0 no intervalo de pouco menos de uma hora.

Este foi o placar final e foi o suficiente para surrupiar o campeonato de Tynecastle.

Teria sido o primeiro título dos Hearts desde 1960, e eles nunca mais chegaram perto disso desde então.

6. Henry Smith defende a bola de Mo Johnston na partida vencida pelos Hearts por 1 a 0 em Tynecastle em 24 de fevereiro de 1987 (Alamy Stock Photo)

O treinador dos Hearts, Alex McDonald, relembra a terrível depressão no vestiário dos visitantes após aquela derrota visceral.

“Três vezes eu tentei ir e dizer alguma coisa para tentar levantá-los, mas não havia jeito”, ele disse.

E continuou: “Não havia nada que pudesse ser feito para aliviar a mais infernal das dores que eu vivenciei em 20 anos de carreira”.

O time dos Hearts era uma clássica mistura de crianças e veteranos.

7. Sandy Clark (London Hearts)
 
No meio deste turbilhão, emergindo como um promissor zagueiro central estava um rapaz chamado Craig Levein.

Ele terminou a temporada com o prêmio de Jogador Jovem do Ano da Escócia.

Na linha de frente John Robertson foi o artilheiro e ainda viria a ser o goleador máximo da história dos Hearts com 214 gols.

Entre as velhas cabeças, Sandy Jardine convocado 38 vezes para a Escócia, foi votado o Jogador do Ano da Escócia.

8. Sandy Clark comemorando um gol contra os Hibs (Pinterest)

Servindo a um longo tempo no clube, Henry Smith, portou-se imaculadamente embaixo das traves.

Eles viveram como heróis dos Hearts, ainda que o título do campeonato tenha fugido do seu alcance no último instante.

Artilheiro: John Robertson, 20 gols.

O jovem atacante formou uma parceria letal com Sandy Clark.

9. John Robertson em foto de 1986 (Getty Images)

Ele estava nos passos iniciais da sua carreira em Tynecastle que, eventualmente, terminaria em 1998.

Naquele período ele já havia se tornado o maior artilheiro dos Jambos de todos os tempos com uma marca impressionante de 214 gols de Liga.

Jogadores-chave: Craig Levein, Henry Smith, Sandy Clark, Sandy Jardine.

Colocação final dos seis primeiros colocados na temporada 1980-81 (36 partidas disputadas, cada vitória valendo 2 pontos):

10. John Robertson comemorando gol feito nos Hibs. No total ele marcou 27 no rival local (London Hearts)

1º Celtic – 50 Pontos; 20 vitórias; 10 Empates; 6 Derrotas; 67 Gols Marcados; 38 Gols Sofridos;

2º Heart of Midlothian – 50 Pontos; 20 vitórias; 10 Empates; 6 Derrotas; 59 Gols Marcados; 33 Gols Sofridos;

3º Dundee United – 47 Pontos; 18 vitórias; 11 Empates; 7 Derrotas; 59 Gols Marcados; 31 Gols Sofridos;

4º Aberdeen – 44 Pontos; 16 vitórias; 12 Empates; 8 Derrotas; 62 Gols Marcados; 31 Gols Sofridos;

5º Rangers – 35 Pontos; 13 vitórias; 9 Empates; 14 Derrotas; 53 Gols Marcados; 45 Gols Sofridos; e

6º Dundee – 35 Pontos; 14 vitórias; 7 Empates; 15 Derrotas; 45 Gols Marcados; 51 Gols Sofridos. *

* Alex Murphy © Revista Total Football ©.

11. O desapontado treinador Alex McDonald, em pé, após o término do jogo contra o Dundee que sacramentou a perda do título da Liga (Getty Images)

Tradução: Sandro Pontes

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