Mostrando postagens com marcador Série Grandes Treinadores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Série Grandes Treinadores. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

David Moyes – Preston North End

David Moyes passou seis anos defendendo as cores do Preston North End antes de se aposentar e assumiu um lugar na equipe técnica em Deepdale até assumir o comando do PNE após a demissão de Gary Peters.

 

Ao longo de quatro anos de intenso trabalho ele conseguiu mudar as perspectivas do Nort End: de um clube que lutava para permanecer na Division Two a um aspirante aos play-offs para a Premier League.

 

Descubram um pouco mais sobre a passagem de Moyes em Deepdale ao ler o breve texto abaixo.

 

Boa leitura.

 

1. David Moyes nos seus tempos de jogador do PNE (PA Images)

Embora nunca tenha sido o mais proeminente dos jogadores, David Moyes desfrutou de seis temporadas no Preston North End com relativo sucesso antes de se tornar parte da equipe técnica do clube e mudar os destinos do clube em poucos anos.

 

Em janeiro de 1998, com o Preston correndo sério risco de ser rebaixado da Division Two, o treinador Gary Peters foi demitido e Moyes foi conduzido ao lugar do demissionário onde, ao longo de 1998 ele ainda entrou em campo algumas vezes, na condição de jogador-treinador antes de se aposentar dos gramados definitivamente.

 

Este foi o início de uma bem-sucedida carreira de treinador para o escocês.

 

Tendo conseguido liderar o Preston à segurança em 1998, o North End alcançou as semifinais dos play-offs, mas foi derrotado, nesta fase, pelo Gillingham.

 

Um ano depois o time Moyes foi coroado o campeão da Division Two, conseguindo a promoção como principal resultado do triunfo. O seu período de sucesso continuou em 2001 quando o Preston ficou em quarto lugar na Liga.

 

2. David Moyes, já empossado no cargo de treinador, é fotografado em Deepdale (PA Images)

Em que pese esta colocação garantisse um lugar nos play-offs, o clube não conseguiu o acesso à Premier League após perder a final, no Millenium Stadium, para o Bolton Wanderers (antes passou pelo Birmingham City).

 

Apesar de não alcançar o mesmo patamar na temporada 2001-02, Moyes se tornou um alvo muito atrativo para os clubes da elite que procuravam um treinador e quem o levou foi o Everton, que conseguiu a assinatura do escocês.

 

Após apenas quatro anos no comando do time de Deepdale, Moyes o transformou o Preston de um time mediano da Division Two a um contendor dos play-offs da Championship e considerou a oferta para dirigir um time da Premier League atraente demais para recusar.

 

David Moyes dirigiu o Preston em 234 ocasiões, nas quais ele obteve 113 vitórias, 58 empates e 63 reveses.

 

Nos seus 11 anos como treinador dos Toffees foram de sucesso, mesmo nunca tendo sido abençoado com o maior orçamento dentre os seus concorrentes, a sua competência tática e a habilidade em identificar e barganhar jogadores promissores fizeram do Everton um clube sempre posicionado na primeira metade da tabela da Premier League.

 

3. David Moyes celebrando a conquista do título da Division Two após a partida contra o Cambridge United no Abbey Stadium em 24 de abril de 2000. O Cambridge United venceu a partida por 2 a 0 (Allsport/Getty Images)

A melhor temporada de Moyes nos Toffees aconteceu em 2005 quando o treinador escocês guiou os seus comandados até a quarta colocação e os classificou para a Champions League da temporada seguinte.

 

Protegido na retaguarda pelo leal presidente Bill Kenwright, Moyes continuou em Goodison Park com o bom trabalho que desenvolveu em Deepdale e, vale mais uma vez ressaltar, apesar do orçamento modesto, ele conseguiu contratar excelentes jogadores como Tim Cahill, Phil Jagielka e Mikel Arteta, que são o testemunho das suas qualidades como gestor de equipes.

 

Em 2013 ele foi apontado como sucessor de Sir Alex Ferguson no Manchester United, mas durou pouco tempo no cargo – apenas dez meses, o terceiro menor período de um treinador em Old Trafford da história do United.

 

Após a passagem frustrada pelos Red Devils, Moyes dirigiu o Real Sociedad, o Sunderland, o West Ham United, pela primeira vez em 2017 quando conseguiu salvar os Hammers do rebaixamento, mas não teve o seu contrato renovado em 2018 e, novamente, os Hammers em 2019 com missão de salvar o clube londrino de uma nova ameaça de rebaixamento.

 

Ele continua nos Hammers com, até o momento, uma campanha decente onde o clube disputa uma das vagas para competições europeias.

 

4. David Moyes erguendo o troféu da Division Two após a partida contra o Millwall em Deepdale, vencida pelo PNE por 3 a 2 em 29 de abril de 2000 (Paul Broadrick/Allsport/Getty Images)

Ficha técnica:

 

David William Moyes

 

Nascimento: 25 de abril de 1963 em Glasgow, Escócia

 

Período no Preston North End: 1993-1999

 

Aparições pelo Preston North End: 159

 

Gols pelo Preston North End: 18 *

 

* The Preston North End Miscellany - David Clayton ©.

 

5. Tom Finney, o maior jogador da história do PNE, e David Moyes celebrando a conquista da Division Two em 29 de abril de 2000 em Deepdale (Paul Broadrick/Allsport/Getty Images)

Tradução: Sandro Pontes

terça-feira, 19 de maio de 2020

Alec Stock - Queens Park Rangers

Alec Stock é por muitos considerado o melhor treinador da história dos Rangers, pois é até agora, o único comandante a conquistar um troféu relevante para o clube.

Além disso, ele foi responsável por ascender os Rs da Third para a First Division durante o seu período de nove anos em Loftus Road.

Maiores detalhes do período de Alec Stock nos Rs logo abaixo.

Boa leitura.

1. Alec Stock (Getty Images)

Talvez ele seja o melhor treinador da história dos Rangers, pois, em nove anos, Alec Stock conduziu o clube da Third para a First Division, além de lidera-los para a sua maior e até agora única glória, a League Cup de 1967.

Contratado no verão de 1959, ele assumiu um time que tinha escapado, por pouco, da queda para a Fourth Division e tinha um enorme trabalho a fazer nos Rs então.

Alec começou a moldar o time a partir da contratação de Brian Bedford do Bournemouth e depois Mark Lazarus e, juntos, eles formaram uma bela dupla que reforçou soberbamente o poderio de ataque dos  Rangers a partir daí.

Entretanto, a promoção continuava um sonho ainda distante do seu time, até a temporada 1966-67, com Rodney Marsh no seu auge, os Rangers conquistaram o título da Third Division.

Aquele ano também testemunhou o QPR desafiar todas as probabilidades quando alcançou a final da League Cup.

2. Alec Stock, conversando com alguns jogadores durante uma sessão de treinamentos no campo de Loftus Road. Os jogadores são, da esquerda para a direita, Roy Bentley, Edwin Towers e George Francis (Getty Images)

98.000 espectadores lotaram Wembley para ver os Rangers de Alec Stock se recuperar de uma desvantagem de 0 a 2 e sagrarem-se campeões ao derrotar o West Bromwich Albion, então na First Division, e ganhando o seu primeiro grande troféu.

As coisas ficaram ainda melhores para os Rangers no ano seguinte, quando o time de Stock conseguiu a promoção e garantiu os eu lugar na First Division.

O seu tempo no oeste de Londres terminou em 1968, quando ele foi controvertidamente demitido em meio a boatos sobre a sua saúde.

Mais tarde ele teria passagens bem-sucedidas no Fulham e no Yeovill Town.

Infelizmente Stock faleceu em 2001. *

* The QPR Miscellany - Ash Rose ©.

3. Doze jogadores do Queens Park Rangers celebrando o ex treinador Alec Stock com uma rodada de champagne no Hotel Kensington em Londres no dia 26 de novembro de 1968 (Getty Images)

Tradução: Sandro Pontes

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Charlton Athletic - O clube dos 100

Hoje é dia de conhecer o Top 5 de artilheiros da história do Charlton Athletic, clube do sudoeste de Londres, que já foi campeão da FA Cup em 1947 e atualmente disputa a Championship.

Descubram maiores detalhes ao ler o texto abaixo.

Boa leitura.

1. Derek Hale (Pinterest)

Cinco jogadores do Charlton com mais de 100 gols

Cinco jogadores dos Addicks marcaram mais de 100 gols pelo clube em todas as competições.

Eles são listados na ordem do número de gols marcados, seguido pelo primeiro e último gol marcado pelo time:

Derek Hale – 168 gols em todas as competições.

Primeiro gol foi marcado contra o Blackburn Rovers, no Valley, em 11 de setembro de 1973; o último contra o Portsmouth, também no Valley, em 29 de setembro de 1984.

2. Carta de baralho com a caricatura de Stuart Leary (eBay)

Stuart Leary – 163 gols em todas as competições.

Primeiro gol foi marcado contra o Sheffield Wednesday, em Hillsborough, em 6 de setembro de 1952; o último contra o Bristol Rovers, no Valley, em 23 de abril de 1962.

Mike Flanagan – 120 gols em todas as competições.

Primeiro gol foi marcado contra o Northampton Town, no County Ground, em 15 de agosto de 1972; o último contra o Hull City, no Boothferry Park, em 19 de abril de 1986.

3. Mike Flanagan (Pinterest)

Keith Peacock – 107 gols em todas as competições.

Primeiro gol foi marcado contra o Luton Town, no Valley, em 1º de setembro de 1962; o último contra o Cambridge United, de pênalti, no Valley, em 6 de março de 1979.

Johnny Summers – 104 gols em todas as competições.

Primeiro gol foi marcado contra o Burnley, no Turf Moor, em 1º de dezembro de 1956; o último contra o Liverpool, em Anfield, em 8 de abril de 1961.

Os dez próximos, na lista de artilheiros, que ficaram perto daqueles que romperam a barreira dos 100 gols, previamente listados acima são os seguintes:

4. Keith Peacock (Pinterest)

Charlie Vaughan – 94 gols;

Billy Kiernan – 93 gols;

Eddie Firmani – 89 gols;

Gordon Hurst – 81 gols;

Harold Hobbis e Sam Lawrie – 78 gols cada;

Martin Robinson – 67 gols;

Dennis Edwards e Carl Leaburn – 66 gols cada; e

Robert Lee – 65 gols.

* Charlton Athletic Miscellany: Addicks Trivia, History, Facts & Stats - Mathew Eastley ©.

5. Johnny Summers (TDIFH Blogspot)

Tradução: Sandro Pontes

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Stan Cullis – Wolverhampton Wanderers


Stan Cullis foi um grande jogador e capitão nato tanto dos Wolves quando da Inglaterra e sua carreira como jogador poderia ter sido muito mais vitoriosa se não fosse a grande pausa no futebol profissional devido à Segunda Guerra Mundial.

Encerrou a carreira e, após um breve período como assistente de treinador, assumiu o time e guiou os Wolves durante a sua era mais dourada.

Antes de passar ao texto, propriamente dito, durante a tradução, houve um termo “Wulfrunian” que merece uma explicação melhor acerca dele (uma pitada de cultura e geografia inglesa para vocês), extraída do Dicionário Urbano - Urban Dictionary online version -: “um orgulhoso membro da comunidade Black Country (dentro da população britânica), afortunado o suficiente de ter nascido dentro dos limites da gloriosa e ensolarada Wolverhamtpon”.

Ou seja, Wulfrunian é o gentílico dos nascidos em Wolverhampton (como, por exemplo, a pessoa nascida em Cutitiba é curitibana).

Já Black Country é a parte das Midlands próximo à Birmingham (onde está localizada, dentre outras cidades, Wolverhampton).

Conheçam um pouco mais da sua carreira ao ler o breve texto abaixo.

Boa leitura.

1. Stan Cullis (Media Storehouse)

A marcha de Hitler sobre a Europa significou que o sonho de uma carreira mais longeva pelos Wolves, de Stan Cullis, não se realizaria como planejada.

Mas o homem, que era uma figura familiar na zaga central antes da eclosão das hostilidades, estava preparado para qualquer tipo de desapontamento que a longa inatividade trouxesse.

Cullis, recrutado para Molineux ainda jovem do Shrosphire Town, Porto de Ellesmere, no qual muitos Wulfrunians migraram em busca de trabalho, era único.

Ele foi nomeado capitão dos Wolves ainda adolescente e da Inglaterra aos 22 anos.

Claramente suas qualidades de liderança foram percebidas rapidamente e muito cedo tanto pelo clube quando pelos recrutadores da Inglaterra.

2. Da esquerda para a direita: Stan Cullis, já treinador, com Ron Flowers e Bill Slater (Pinterest)

Os anos de glória dos Wolves chegaram consideravelmente tarde, após Cullis já ter encerrado a carreira e sido guindado ao posto de treinador com apenas 32 anos.

O que poucos lembram é que voos similares poderiam ter sido alcançados uma temporada ou duas antes da guerra, mas acabaram escapando pela ponta dos dedos quando os Wanderers, do Major Frank Buckley, terminaram duas vezes na segunda posição da Liga e perderam de forma surpreendente para o Portsmouth a final da FA Cup de 1939.

Por pouco Cullis não ergueu troféus também como capitão...

Cullis ficou um curto período como assistente de Ted Vizard antes de assumir o posto de treinador principal da equipe. E, por mais de uma década e meia, ele fez muito mais que o proverbial “governar com o bastão”.

 
3. Estátua de Stan Cullis em Molineux (English Soccer Guide)

Com propalado desejo de ver o jogo ser desempenhado de maneira simples, ele brilhantemente controlou a decolada do time de Molineux no pós-guerra.

Primeiro veio a FA Cup, que o Wolverhampton não ganhava desde 1908. Então, para grande tristeza dos seus vizinhos do West Brom, os Wolves se tornaram campeões da Liga pela primeira vez em 77 anos de história.

Dois outros títulos e mais uma FA Cup se seguiram nos seis anos seguintes quando o clube disputou com o Manchester United a primazia de ser o maior time da Inglaterra.

A linha de produção de talentos parecia sem fim e os Wolves, proclamados campeões mundiais pelo seu treinador após bater o Honved no mais famoso amistoso noturno em Molineux, se tornaram participantes regulares em competições europeias organizadas pela Uefa naquela década.

4. Card de Stan Cullis (Beyond the Last Man)

Ficha técnica:

Stanley Cullis

Nascimento: 25 de outubro de 1916 em Ellesmere Port, Inglaterra

Falecimento: 28 de fevereiro de 2001 em Malvern, Inglaterra

Carreira no Wolverhampton Wanderers: 1934-1947

Aparições pelo Wolverhampton Wanderers: 171

Gols: 0

Aparições pela Inglaterra: 12

Aparições pela Inglaterra em tempo de guerra: 20

Aparições pela Seleção da Liga (England XI): 3*

* When Football Was Football: Wolves, a nostalgic look at a century of the club - David Instone ©.

5. Mapa da região Black Country e suas principais cidades (Pinterest)

Tradução: Sandro Pontes

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Liverpool – Um pouco do folclore de Bill Shanky


Bill Shankly, o treinador que transformou os Reds numa potência dentro da Inglaterra, tem muita coisa pra contar.

Tanta coisa que até deu um livro sobre a vida do icônico treinador escocês chamado Shanky, from Glenbuck to Wembley, de Phil Thompson e Steve Hale ©.

Hoje trazemos algumas passagens de um capítulo do livro, cujo trecho, para situar o leitor, tem início com o início da temporada 1966-67 após a conquista da Copa do Mundo pelos ingleses.

Abaixo vocês verão: a impressão de Shankly sobre a Copa do Mundo de 66, a Charity Shield contra o Everton, o banimento temporário, por parte do Liverpool, de câmeras de TV em Anfield, o jogo contra o Ajax e as piadas dos rivais do Everton por anos a fio após a eliminação diante dos holandeses, além de alguns relatos sobre o desastre nas arquibancadas no jogo de volta com a Ajax em Anfield.

Enfim são boas passagens para os que ainda não conhecem ou conhecem pouco sobre a história de Shankly.

Boa leitura.

1. Capa do jornal Liverpool Echo (Pinterest)

Com a vitória do Liverpool no campeonato e do Everton na FA Cup, o sucesso da Inglaterra na Copa do Mundo significou, para os torcedores de Merseyside, que aquele ano provavelmente estaria no zênite de suas memórias.

Um homem não impressionado com a Copa, entretanto, era o próprio Shankly; ele sempre sustentou que não havia nada a temer do resto do mundo e estava contente que a Inglaterra tenha conseguido o troféu, mas ele achou o padrão de jogo, durante o torneio, estéril e desprovido de paixão: “isto me provou que se os clubes ingleses quiserem jogar as partidas continentais no seu próprio jogo ofensivo, nós ganharemos deles, inclusive o Liverpool. Em geral, eu penso que a Copa do Mundo foi disputada num sentido negativo e a Inglaterra ganhou com um futebol negativo!”

Para Shankly, que acabara de dirigir um time vencedor do Liverpool jogando sempre no ataque os noventas minutos, a maneira pela qual se conquista o sucesso era mais importante que a vitória em si mesma.

Uma vez ele disse: “Existem apenas duas maneiras de se jogar futebol: a maneira certa e a maneira errada”.

Campeões do mundo ou não, a única forma que Shankly queria ver os seus times jogarem era de uma forma atrativa no ataque e os seus dois grandes amigos, Sir Matt Busby e Jock Stein, pensavam de forma semelhante.

2. Roger Hunt e Ray Wilson, dois campeões do mundo, desfilam com a Jules Rimet antes do início da partida (Getty Images)

No futebol dos dias de hoje, o resultado está acima de qualquer outra coisa por causa da vasta quantia de dinheiro em jogo.

Shankly, Busby e Stein haviam entendido porque havia uma euforia na mídia após o maçante empate em 0 a 0 contra um time da Itália de qualidade inferior em Roma, mas eles podem ter ficado entristecidos e não deixaram de se impressionar pelo que agora constitui uma grande performance.

O que Shankly apreciou, com Copa do Mundo ou não, é que o futebol inglês estava em alta quando a temporada 1966-67 começou e reiterou que não havia nada a ser aprendido da Copa do Mundo.

Ele disse à imprensa local: “Nós assistimos estes times da Copa do Mundo jogar e observamos eles treinarem. Mas eu acho que não iremos copiar qualquer dos seus métodos. Nós vamos treinar e nos preparar da forma que nós sempre fizemos, numa maneira que melhor se ajuste aos nossos jogadores”.

Ron Yeats disse que estava certo que o Liverpool ganharia outro troféu: “Eu não sei o que, mas eu espero que seja a Copa dos Campões da Europa”.

3. Times entrando em campo para disputar a Charity Shield em 13 de agosto de 1966 (Getty Images)

Mas, inacreditavelmente, o primeiro grande time de Shankly já havia atingido o seu ápice e o Liverpool estaria destinado a esperar outros seis anos antes deles conquistarem novos torneios.

O levantar de cortinas anual para a uma nova temporada, a Charity Shield, viu o Liverpool em Goodison Park para enfrentar os seus vizinhos do Everton.

Roger Hunt e Ray Wilson, ambos membros do time bem-sucedido da Inglaterra na Copa do Mundo, desfilaram o troféu Jules Rimet em frente a 63.000 triunfantes Merseysiders.

O Liverpool ganhou o troféu com um gol de Roger Hunt e uma temporada bem-sucedida era imaginada por todos em Anfield.

Eles começaram muito bem com uma vitória sobre o Leicester, mas derrotas para o Manchester City e para o rejuvenescido Everton de Alan Ball fizeram-nos recuar.

4. Bill Shankly posa com os troféus conquistados (Getty Images)

Também havia problemas fora de campo de jogo após o clube ter decido banir câmeras de televisão ao redor do gramado.

O Liverpool tinha decidido impor a proibição por temer que a cobertura da televisão poderia conduzir à queda de espectadores presentes no estádio. O Everton também impôs um bloqueio à televisão em Goodison Park.

Os torcedores do Liverpool ficaram furiosos com a decisão do clube. Muitos deles tinham dificuldade em chegar a Anfield nos dias de grandes partidas, os portões geralmente eram fechados bem antes do pontapé inicial.

Petições contra a proibição da televisão foram organizados em toda cidade, uma em particular de quase 10.000 trabalhadores de uma fábrica da Ford declarando que a menos que a proibição fosse suspensa os torcedores seriam encorajados a boicotar todas as partidas do Liverpool.

Um torcedor irado proclamou: “Isto é ridículo. É uma coisa que não conseguiria esperar do Liverpool. Nós ainda temos que ouvir uma razão plausível do clube por sua atitude – a velha desculpa sobre o minguado público não será aceita. O contrário se encaixa em Anfield. Será difícil para mim e outros torcedores do Liverpool na fábrica ficar longe, mas isso mostrará quão seriamente nós nos sentimos sobre isso”.

5. Programa oficial da partida de ida entre o Ajax e os Reds (eBay)

Um crescente grupo de torcedores do Liverpool de fora da área de Merseyside estava particularmente enfurecido por não ser mais capaz de ver os seus heróis na televisão e mandaram cartas em protesto ao jornal Liverpool Echo.

Um deles declarou: “Eu tenho esperanças que, por causa dos torcedores distantes como eu, o clube reconsiderará sua decisão. Na medida em que eu posso julgar, fora de Merseyside, o Liverpool não é considerado um grande time. Eles não são como eu pensaria que poderiam ser, comparados ao time de Busby do fim dos anos 1940s e metade dos 1950s. Nem o time do Spurs que ganhou o Double ou até os Wolves o time conquistador de primeira classe da Inglaterra. Para ganhar esta reputação merecida, o Liverpool precisa do suporte da televisão, afinal de contas, existe muita satisfação a ser obtida de um reconhecimento nacional como o dado por fãs locais”.

Essa firme exibição de “poder do povo” levou a diretoria do Liverpool à repensar sua decisão e a proibição às câmeras de televisão foi suspensa.

Com o televisionado massacre nas mãos do Ajax algumas semanas depois, entretanto, talvez os comandantes de Anfield tivessem desejado ter mantido a suspensão por um pouco mais de tempo.

6. A forte neblina de Amsterdã (Getty Images)

Shankly tinha toda a razão em sentir-se confiante de que o Liverpool poderia desempenhar um papel maior naquela temporada da Copa dos Campeões da Europa.

Ele sempre havia sustentado que um jogador está no seu melhor quando ele está com vinte sete ou vinte oito anos.

Com muitos do seu time se enquadrando nesta categoria, o time titular de Shankly deveria estar no seu auge, mas o Liverpool começou a sua campanha nervosamente.

Eles tinham que enfrentar o campeão romeno Petrolul Ploieşti na fase preliminar. Eles ganharam a primeira partida em Anfield por 2 a 0, mas perderam o jogo da volta por 3 a 1.

Um terceiro jogo foi necessário e o Liverpool, com gols de St John e Thompson, ganhou um lugar na próxima fase ao bater os romenos em Heysel em 19 de outubro de 1966.

7. Johan Cruyff em ação contra os Reds na primeira partida na Holanda (Getty Images)

Eles foram sorteados para enfrentar o campeão holandês Ajax, próximo e não muitos problemas foram antecipados.

O futebol holandês não era considerado particularmente forte e os torcedores do Liverpool tiveram mais diversão fazendo piada com o nome do campeão holandês, que era o mesmo de uma marca muito conhecida de limpador de banheiro.

Uma das preocupações do Liverpool antes do jogo eram as ações, que um grupo niilista de torcedores e que também estava causando sérias preocupações nas autoridades holandesas.

Durante uma partida internacional entre a Holanda e a antiga Tchecoeslováquia, os “Provos” como os niilistas chamavam a si próprios, invadiram o campo brigaram com a polícia e com outros torcedores.

Como resultado o campo do Estádio Olímpico, onde o jogo do Liverpool teria lugar, estava cercado com arame farpado. Mas, como se verificou, o único invasor de campo naquela noite úmida e de muita neblina, foi o próprio Shankly.

8. Programa oficial do jogo da volta (eBay)

Outra providência tomada pelas autoridades holandesas foi um túnel de 30 metros de comprimento de vidro inquebrável para evitar que os jogadores fossem atingidos por garrafas quando caminhassem para o gramado.

Embora o Ajax alegasse que os seus torcedores não poderiam ser culpados pelas recentes confusões no gramado, as autoridades não estavam dando chances do fato se repetir e um ultimato foi dado a eles: se houvesse mais algum tipo de baderna, não mais seriam permitidas partidas de futebol no Estádio Olímpico.

Na noite do jogo baixou uma forte neblina em Amsterdã e Shankly alegou aos oficiais da partida que o jogo deveria ser cancelado. Os apelos de Shankly não produziram efeito e o jogo seguiu adiante.

A visibilidade era, de fato, tão precária que Shankly, em dado momento, entrou em parte do campo para dar instruções aos seus jogadores. “Você não pode ver o jogo em absoluto”, ele disse. “Eu estava no campo. Estávamos perdendo por 2 a 0, então eu saí do banco e entrei em campo para ter uma palavra com os meus jogadores e o árbitro sequer me viu”.

O Liverpool acabou batido por 5 a 1 (link com os gols da partida) e, embora as condições tenham tornado o jogo absurdo, não havia dúvidas de que o time do Ajax tinha alguns excepcionais talentos; particularmente a futura lenda de dezenove anos, Johann Cruyff.

9. Ingresso da partida em Anfield (LFC History)

Como esperado, Shankly estava furioso após o término do jogo. “Nós nunca jogamos bem contra times defensivos!”, ele disse para incrédulos repórteres.

Admiravelmente Shankly convenceu os torcedores do Liverpool que a desvantagem de quatro gols poderia ser revertida e próximo a 54.000 espectadores foram a Anfield na esperança de testemunhar uma das maiores viradas de todos os tempos.

A despeito de Shankly tê-los estigmatizado como um time defensivo, o treinador Rinus Michels disse aos repórteres que ele não estava impressionado com a defesa do Liverpool e que esperava marcar mais gols.

Cruyff, o garoto de ouro holandês, esteve ausente por doença em alguns jogos antes da partida de volta, mas foi considerado apto para retornar neste jogo.

Empurrado pelo grito da Kop, o Liverpool avançou suas linhas no começo da partida, mas foi incapaz de conseguir uma liderança inicial no placar. 

Houve, então, a surreal visão de tumulto na torcida e, mais uma vez, o espetáculo que conhecemos tão bem: espectadores prensados e se espalhando ao lado do campo.

 
10. Recorte de jornal com o gol de Roger Hunt (Pinterest)

O pânico se seguiu e até houve relatos de bombas de fumaça sendo jogadas para conter as pessoas. Trinta foram levados ao hospital e uns 100 foram medicados pelo serviço de ambulância de campo.

Um porta-voz da polícia disse ao Liverpool Echo: “Você podia sentir a incrível empolgação e tensão no começo da partida e a pressão do alto das arquibancadas, feito pela torcida, provavelmente foi maior do que geralmente é”.

O esmagamento aconteceu a vinte minutos do intervalo e antecipou que a reviravolta do Liverpool não se materializaria.

Dois gols de Cruyyf com Hunt marcando dois em resposta pelo Liverpool, levou o Ajax a vencer por 7 a 3 no placar agregado (melhores momentos do jogo neste vídeo do Youtube). 

Roger Hunt mais tarde alegaria: “Muito pouco se sabia sobre o Ajax naqueles dias, mas eles eram um time muito melhor do que imaginávamos”.

11. Manchete do Daily Mirror sobre a tragédia em Anfield dá conta de 200 pessoas machucadas (Pinterest)

Tommy Smith, como sempre, foi mais direto: “O Ajax era um grande time!”

Shankly ainda estava relutante em enaltecer o emergente time holandês no futebol europeu. “Eles tiveram sorte”, ele exclamou.

Após a humilhação do Liverpool nas mãos do time holandês, os torcedores do Everton se divertiram às custas do Liverpool por anos e anos com piadas como esta “Como você limpa o Liverpool do seu vaso sanitário? Borrife Ajax neles!” *

* Shanky, from Glenbuck to Wembley - Phil Thompson e Steve Hale ©.

12. Capa do livro

Tradução: Sandro Pontes

Wolves neste dia