Neste segundo
capítulo termos a oportunidade de ver outro time tentando acabar com a
hegemonia do Liverpool em território doméstico.
O desafiante
desta vez é o Manchester City, não este a que vocês estão acostumados em tempos
recentes: multimilionário e multicampeão, pelo contrário era um City em
transição quando a sua melhor fase já havia passado, que situou-se no fim dos
anos 1960s e começo dos 1970s.
Pois bem, o
City havia sido campeão da Liga na temporada 1967-68, da FA Cup na temporada
seguinte (1968-69), campeão da European Cup Winner's Cup na
temporada de 1969-70 e a este último título se junte o da League Cup da mesma
temporada, ou seja, os Cityzens conquistaram o primeiro Double da sua história
e ainda houve mais um título, o da League Cup da temporada 1975-76.
Ou seja,
embora não fosse o melhor dos times, O City tinha um cartel de títulos
interessantes, além de alguns remanescentes daquela era dourada como Collin Bell e
Dennis Tueart e, comandando a partir do banco dos Blues, Tony Book, o antigo
capitão desta fase gloriosa do City enquanto jogador. Era um time à altura do
desafio!
Os azares que
perseguiram o City na temporada foram, basicamente, dois: lesões de
jogadores-chave e uma derrota crucial para os Reds em Anfield que, como verão
logo mais, fez toda a diferença...
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| 1. Card de Joe Corrigan (Sportsworld Cards) |
Antes de passarmos ao relato, como vocês verão no texto logo adiante, há uma frase com a seguinte menção: “eles foram separados pela finura de um Rizla”.
Mas, afinal
de contas, o que significa a palavra Rizla?
Para dirimir
a dúvida de vocês e, ao mesmo tempo, manter a tradução mais fiel possível ao
original, lançamos mão da Wikipedia,
conforme vocês podem ver:
“Rizla, comercialmente estilizado como Rizla+
é uma marca de papel de seda para cigarros e outros derivados do tabaco ou
maconha, para ser enrolado manualmente em cigarros artesanais”.
Ou seja, o
autor original quis dizer que o título foi decidido pela margem mínima, da
grossura de um papel de seda...
Outro fato
que merece atenção é o trocadilho que o autor fez com as cores do City e um
conhecido estado de espírito na língua inglesa, a tristeza no título da matéria
para descrever a decepção do time: “City left feeling blue”.
Lá é comum a
pessoa estar “feeling blue”, que traduzido para a língua portuguesa seria algo
como sentir-se triste/desanimado/para baixo (mais precisamente sentindo-se
triste).
Feitos estes
devidos esclarecimentos, passemos à narrativa principal.
Boa leitura.
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| 2. Joe Corrigan em ação pelos City contra o Chelsea em Stamford Bridge em 21 de agosto de 1971 (Getty Images) |
Deixando o City desanimado
O Liverpool
foi pressionando de todas as formas pelo Manchester City e o Ipswich Town, mas
foi o City quem chegou mais perto.
Eles se
colocaram como os principais contendores do Liverpool ao derrotar o Town por 2
a 1 em Maine Road no começo de abril.
Mas a partida
decisiva para o destino do título aconteceu uma semana depois, quando o City
enfrentou o Liverpool em Anfield.
Os Reds
ficaram à frente dos Cityzens ao ganhar por 2 a 1 e, a partir disso, o
campeonato ficou na dependência de uma derrota do Liverpool.
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| 3. Card de Dennis Tueart (eBay) |
O City nunca
se deu por vencido, mas o time de Bob Paisley finalmente assegurou o título ao
empatar em 0 a 0, em Anfield, com o West Ham ainda faltando um jogo para encerrar
sua participação no campeonato.
O Liverpool
ressaltou a importância daquela vitória sobre o City em Anfield ao perder o seu
último jogo de Liga, fora de casa, para o Bristol City.
O resultado
significou que a margem do vencedor foi de apenas um ponto para o vice-campeão.
Após nove
meses e uma semana de luta entre os dois conceituados times do noroeste inglês
(pelo menos naquela época), eles foram separados pela finura de um Rizla.
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4. Dennis
Tueart marcando um gol espetacular na final da League Cup de 1976 contra o
Newcastle (The Telegraph) |
A performance
do City foi mais do que creditável levando-se em consideração as lesões que os
privaram de dois jogadores-chave.
O confiável
lateral Glyn Pardoe perdeu a campanha inteira.
Mais crucial
ainda foi a perda de Colin Bell, o coração e a alma do meio de campo do City.
O fato do time se portar tão bem sem os melhores jogadores, como é o caso de Bell, é um tributo à
efetividade do seu moderado treinador à época, Tony Book.
A
contribuição de Book como chefe do clube é frequentemente subestimada por
personalidades mais enérgicas e extravagantes como Malcolm Allison ou John
Bond.
Mas uma
rápida olhada nos livros de recordes mostrará que Book foi um dos treinadores
mais bem-sucedidos no City.
Ele era um
rapaz de 29 anos que se dividia entre o trabalho de pedreiro e o de jogador em
meio período no Bath City antes de fazer sua estreia na Football League pelo
Plymouth Argyle.
Seu treinador
no Bath, Malcolm Allison, levou o defensor consigo quando se tornou treinador
em Home Park.
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| 6. Malcolm McDonald, do Newcastle, e Willie Donachie em ação durante a final da League Cup de 1976 em Wembley (Chronicle Live) |
E Allison
recrutou Book novamente quando assumiu o clube de Maine Road.
Aos 33 anos,
quando a maioria dos jogadores já estava pensando em comprar um pub, ele ganhou o campeonato com o City,
foi vencedor da FA Cup e foi eleito Jogador do Ano (conjuntamente com Dave
Mackay).
Book se
tornou treinador do City em 1974 e ganhou a League Cup em 1976.
Isto foi um
prelúdio para a temporada de 1976-77 quando o time que ele montou pressionou
muito o Liverpool na batalha pelo título.
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| 7. Dave Watson (Pinterest) |
Suas
contratações – elas incluíram Joe Royle, Asa Hartford, Brian Kidd, Dave Watson
e Mike Channon – ficaram em primeiro plano nos esforços envidados durante a
temporada.
Artilheiro da
equipe: Brian Kidd, 21 gols.
A carreira de
Kiddo atingiu o seu ápice no seu 19º aniversário, quando ele jogava pelo time
do Manchester United que ganhou a European Cup em 1968.
Mas ele nem
precisou da temporada completa para alcançar o topo da artilharia no time.
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| 8. Dave Watson, segurando a taça recém-conquistada da League Cup em 1976, e seus colegas desfilam após o término do jogo (Pinterest) |
Sua marca é
ainda mais memorável porque o seu primeiro gol de Liga não veio antes de 30 de
outubro.
Jogadores-chave:
Joe Corrigan, Dennis Tueart, Willie Donachie, Dave Watson.
Colocação
final dos seis primeiros colocados na temporada 1976-77; 42 partidas
disputadas, cada vitória valendo 2 pontos):
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| 9. Brian Kidd em foto de 1976 (Pinterest) |
1º Liverpool
– 57 Pontos; 23 vitórias; 11 Empates; 8 Derrotas; 62 Gols Marcados; 33 Gols
Sofridos;
2º Manchester
City* – 56 Pontos; 21 vitórias; 14 Empates; 7 Derrotas; 60 Gols Marcados; 34
Gols Sofridos;
3º Ipswich
Town – 56 Pontos; 22 vitórias; 8 Empates; 12 Derrotas; 66 Gols Marcados; 39
Gols Sofridos;
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| 10. Brian Kidd disputa a bola com o goleiro Alex Stepney, do Manchester United, em partida disputada em Old Trafford em 1977 (Bob Thomas/Getty Images) |
4º Aston
Villa – 51 Pontos; 22 vitórias; 7 Empates; 13 Derrotas; 76 Gols Marcados; 50
Gols Sofridos;
5º Newcastle
United – 49 Pontos; 18 vitórias; 13 Empates; 11 Derrotas; 64 Gols Marcados; 49
Gols Sofridos; e
6º Manchester
United – 47 Pontos; 18 vitórias; 11 Empates; 13 Derrotas; 71 Gols Marcados; 62
Gols Sofridos.
* O City
terminou na frente pelo confronto direto com o Ipswich Town (o saldo de gols
não contava). **
** Alex
Murphy ©, Revista Total Football ©.
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| 11. Tony Book exibindo o prêmio de Treinador do Mês, ganho em novembro de 1975 (City Till I Die) |
Tradução:
Sandro Pontes











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