quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Notts County – Dor em Meadow Lane

O Manchester City levou mais de 10.000 torcedores a Meados Lane naquele maio de 1985, pois uma vitória dos visitantes garantiriam volta dos Cityzens à First Division.

Entretanto, os Magpies, que lutavam contra o rebaixamento, tinham outros planos e aconteceu de quase tudo na partida!

Maiores detalhes abaixo.

Boa leitura.

1. Mick McCarthy cabeceia a bola ameaçado por Justin Fashanu, autor de um dos gols dos Magpies naquela tarde (Getty Images)

Em 6 maio de 1985 o Manchester City trouxe mais de 10.000 torcedores a Meadow Lane para encarar os Magpies.

Era a penúltima partida do City na temporada e uma vitória praticamente garantiria a promoção do clube para a First Division.

Entretanto, o County, que lutava contra o rebaixamento para Third Division, marcou três gols e não levou nenhum num primeiro tempo alucinante, graças a Justin Fashanu, Rachid Farkouk e Alan Young.

Durante o intervalo, os torcedores do City se portaram muito mal começando a provocar distúrbios e fazer força para derrubar o alambrado com esperança que o jogo fosse cancelado.

E eles não pararam, mesmo diante dos apelos, de Billy McNeill, treinador dos Blues, e Jimmy Sirrell, comandante do County, mas não conseguiram acalmar os torcedores visitantes.

2. Dave Watson disputa uma jogada aérea com Andy May do Manchester City (Getty Images)

Quando a ordem finalmente foi restaurada, a partida foi retomada com 30 minutos de atraso.

Os Magpies perderam um pouco do seu ímpeto inicial após o reinício e o City esboçou uma reação quando marcou dois gols, aos 66 e 72 minutos, através do ponta Paul Simpson, mas o County se postou firme na defesa para registrar uma vitória por 3 a 2 e ganhou três preciosos pontos.

Os torcedores locais, da sua parte, ficaram contentes por escapar do campo sem maiores incidentes.

Como informação adicional, o City venceu o seu jogo final e garantiu o seu acesso à First Division, mas o County falhou em conseguir o resultado que necessitava contra o Fulham e foi rebaixado (os londrinos venceram o confronto por 1 a 0 em Craven Cottage). *

 * The Notts County Miscellany – David Clayton ©.

3. Capa do programa oficial da partida (eBay)

Tradução: Sandro Pontes

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Único time no Século XX a chegar em três finais de FA Cup consecutivas

Os Gunners fizeram história quando foram os únicos a chegar em três finais consecutivas de FA Cup no Século XX.

E ainda foram os primeiros a alcançar tal proeza neste século!

Maiores detalhes abaixo.

Boa leitura.

1. Clive Woods é perseguido por Pat Rice, o único remanescente da final de 1972, durante o jogo (Getty Images)

Sob a direção do ex-jogador Terry Neill, o Arsenal foi o único time no século XX a alcançar três finais de FA Cup consecutivas.

Seis anos após o dia em que os Gunners foram derrotados por 1 a 0 pelo Leeds United na final da FA Cup, o Arsenal retornou a Wembley para enfrentar o Ipswich Town na decisão do torneio.

Em torno de 100.000 espectadores viram Paul Mariner e George Burley quase marcarem para os Tractor Boys, mas a trave e Pat Jennings salvaram o Arsenal.

Após 76 minutos de jogo o Ipswich atacou e Willie Young rebateu um chute desferido por um jogador dos Tractor Boys, mas a bola sobrou livre nos pés de Roger Osbourne, que chutou forte no canto direito de Pat Jennings e arrebatou a copa pelo agora familiar placar de 1 a 0.  

Pat Rice, do Arsenal, era o único sobrevivente da final de 1972.

Um ano depois os Gunners estavam de volta às Torres Gêmeas tendo como oponente o Manchester United, que estava sua terceira final em quatro anos (1976, quando os Red Devils foram derrotados pelo Southampton e 1977, quando venceram o Liverpool por 2 a 1).

O Arsenal estava determinado a evitar a derrota do ano anterior. Terry Neill despachou o seu assistente Wilf Dixon e o ex Gunner George Male para compilar um dossiê com as eventuais fraquezas do United.

Eles apontaram que a defesa do United se amontoava quando atacada e não cobriam a segunda trave nas cobranças de escanteio ou cruzamentos.

2. Brian Talbot, camisa 4, marcou o primeiro gol dos Gunners na final (Getty Images)

Havia 15 jogadores de seleção em campo nesta final, mas o jogo foi carente de habilidade e elegância.

Brian Talbot, que havia sido contratado junto ao Ipswich Town por £450.000, abriu a contagem para o Arsenal aproveitando um cruzamento de David Price, após este receber um passe em profundidade de Liam Brady.

No gol do Arsenal, Jennings foi obrigado a fazer grandes defesas para manter o placar em 1 a 0 para os Gunners antes de, aos 43 minutos, Liam Brady cruzar e Frank Stapleton cabecear forte para o fundo das redes o gol número dois do Arsenal no confronto.

O intervalo veio e passou e enquanto o segundo tempo se desenrolava parecia que o Arsenal navegava em águas tranquilas para uma vitória fácil.

Então Terry Neill fez o que até hoje ainda é considerada uma substituição surpreendente: ele sacou o meio-campista David Price e colocou em campo o defensor Steve Walford.

A substituição desequilibrou o jogo do Arsenal e, de repente, o Manchester United percebeu uma oportunidade.

3. Frank Stapleton cabeceia para marcar o segundo gol dos Gunners contra os Red Devils (Getty Images)

Numa cobrança de falta Joe Jordan chutou e encobriu a defesa do Arsenal para encontrar Gordon McQueen e, dois minutos depois, Sammy McIlroy estabeleceu a igualdade em 2 a 2.

Parecia que o jogo iria para a prorrogação como a decisão de 1971.

Liam Brady disse: “quando o United igualou o confronto eu comecei a temer pela prorrogação porque eu já estava exausto e o nosso substituto não tinha entrado bem no jogo”.

Ele não precisava se preocupar, pois o Arsenal tinham outras ideias: Brady enxergou Graham Rix livre pelo lado esquerdo do campo e então deu um belo passe para Rix, na sequência, cruzou a bola para a área.

Gary Bailey saiu para tentar interceptar o cruzamento pelo alto, mas falhou e a bola chegou até Alan Sunderland que se atirou nela e conseguiu empurrar para o fundo das redes, antes da chegada do defensor Arthur Albiston do United, e dar a vitória ao Arsenal no último minuto de jogo.

Em 1980 era a terceira final de FA Cup em três anos e parecia que o Arsenal estava fazendo de Wembley a sua segunda casa.

4. Alan Sunderland empurrando a bola para o fundo do gol e para o título dos Gunners (Getty Images)

Entretanto, no fim a vitória coube ao azarão: diante de 100.000 espectadores o Arsenal encarou os Hammers, então na Second Division, que se sagrou vencedor pelo placar mínimo.

Três finais em sequência dos Gunners no Século XXI

Tendo sido o único time a disputar três finais consecutivas de FA Cup no Século XX, o Arsenal se tronou o primeiro time a alcançar tal façanha no Século XXI, quando cegou às finais de 2001, 2002 e 2003.

Os Gunners tiveram mais sucesso neste século, ganhado dois troféus em três possíveis quando comparado uma taça em três finais no século passado.

Em 2001 eles perderam para o Liverpool por 2 a 1, em Cardiff, enquanto em 2002 bateram o Chelsea por 2 a 0 e repetiram a conquista vencendo o Southampton por 1 a 0 no ano seguinte, ambos jogos também no Millenium Stadium, na capital galesa.

Esta última final também entrou para a história por um motivo especial: foi a primeira decisão de FA Cup disputada num campo coberto. Esta história já foi contada noutra ocasião e neste link você poderá saber maiores detalhes. *

* Firsts, Lasts and Onlys - Paul Donnelley.

5. Trevor Brooking, dos Hammers, dá um carrinho para afastar a bola de Liam Brady durante a final de 1980 (Getty Images)

Tradução: Sandro Pontes

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Leeds United – Charity Shield 1992

Os Peacocks tiveram uma tarde magnífica naquele 8 de agosto de 1992 em Wembley, quando bateram o Liverpool na decisão da Charity Shield!

Com direito a hat-trick de Cantona e um bizarro gol contra às próprias redes feito por Gordon Strachan!

Maiores detalhes abaixo.

Boa leitura.

1. Time do Leeds, campeão da Charity Shield de 1992. Segunda fileira (esquerda para a direita): Mervyn Day, Chris Whyte, Jon Newsome, Chris Fairclough, John Lukic, Eric Cantona, David Wetherall, Tony Dorigo e David Rocastle. Primeira fileira (esquerda para a direita): Steve Hodge, Gary Speed, Gordon Strachan, Lee Chapman, Gary McAllister, David Batty e Rod Wallace (Getty Images)

Quando Gordon Strachan e Gary McAllister levantaram juntos a Charity Shield após uma excitante vitória por 4 a 3 sobre o Liverpool em Wembley, pouca coisa sugeriria que o Leeds estaria prestes a montar uma das mais fracas defesas de título conquistado na história.

O herói daquela tarde foi Eric Cantona, que marcou um hat-trick, com Tony Dorigo também indo às redes, quando o United se vingou da infame lembrança da Charity Shield de 1974, quando os Reds triunfaram nos pênaltis, 6 a 5, após empate por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação.

2. Eric Cantona marcando o seu terceiro gol no jogo (Getty Images)

Strachan não iniciou a partida naquele dia, mas talvez tenha feito uma das mais memoráveis contribuições quando, segundos após ter entrando em campo ele marcou um cômico gol contra as próprias redes!

Após uma cobrança de escanteio a bola sobrou para um jogador dos Reds que chutou a bola na direção de Strachan, que estava encostado na linha do gol ao lado da trave esquerda, e a bola bateu num pé, bateu no outro e entrou no gol diante de um atônito e impotente Strachan!

3. Eric Cantona e Tony Dorigo posam para fotos com a Charity Shield (Getty Images)

Ficha técnica da partida:

Leeds United 4 (Eric Cantona-3, Tony Dorigo) Liverpool 3 (Ian Rush, Dean Saunders, Gordon Strachan - contra)

Charity Shield

Local: Wembley Stadium

Data: 8 de agosto de 1992

Público: 61.291

Leeds United: John Lukic, Chris Fairclough, Jon Newsome (Gordon Strachan), Chris Whyte, Gary Speed, Tony Dorigo, David Batty, Gary McAllister, Eric Cantona, Lee Chapman (Steve Hodge), Rodney Wallace.

Liverpool: Bruce Grobbelaar, David Burrows, Mark Wright, Nick Tanner, Mike Marsh (Don Hutchison), Ronnie Whelan, Paul Stewart, Ronny Rosenthal (Istvan Kozma), Ian Rush, Dean Saunders, Mark Walters. *

* Leeds United Miscellany: Elland Road Trivia, History, Facts & Stats - Joe Mewis ©.

4. Capa do programa oficial da partida (eBay)

Tradução: Sandro Pontes

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Primeiro torneio europeu de clubes a ser decidido nos pênaltis

Quatro dias após serem derrotados na final da FA Cup, onde eram favoritos, pelos Hammers, os Gunners chegaram na Bélgica para a final da European Cup Winners' Cup Final contra o Valencia da Espanha.

Assim como na final da copa doméstica, o Arsenal era o time favorito para conquistar o torneio, mas numa partida onde as defesas se sobressaíram no tempo normal e na prorrogação, pela primeira vez na história, foram necessários os pênaltis para apurar o campeão.

Maiores detalhes abaixo.

Boa leitura.

1. Os goleiros Carlos Santiago Pereira, à esquerda, do Valencia e Pat Jennings do Arsenal, à direita esperam pelo início da decisão por pênaltis em Bruxelas (Getty Images)

Quatro dias após os Gunners terem sido derrotados pelo West Ham United na final da FA Cup, eles disputaram outra final de copa.

Tendo despachado a poderosa Juventus nas semifinais, o Arsenal encontrou os espanhóis do Valencia e eram considerado favoritos para conquistar o torneio como era contra os Hammers.

David O’Leary não participou do aquecimento pré-jogo da final por causa de uma lesão leve na coxa e jogou a base de analgésicos.

Com os times empatados nos 90 minutos regulamentares e também nos 30 minutos da prorrogação, pela primeira vez na história uma competição europeia de clubes foi decidida na loteria dos pênaltis.

2. Mario Kempes defende a bola do avanço de David O'Leary durante o jogo (Bob Thomas Sports Photography/Getty Images)

Mario Kempes, o único não europeu no time do Valencia, descrito pelo jornalista do The Times como “jogador de cabelos femininos esvoaçantes” chutou a primeira cobrança, mas Pat Jennings defendeu o chute do argentino.

Então Liam Brady se dirigiu à marca fatal para executar a sua cobrança, que foi prontamente desperdiçada.

Na sequência todos os jogadores do Valencia venceram Jennings nas suas cobranças e, pelo Arsenal, Frank Stapleton, Alan Sunderland, Brian Talbot e John Hollins aproveitaram as suas penalidades.

Graham Rix, o jogador de cabelos castanhos que vestia a camisa número 11 do Arsenal se encaminhou para a marca de pênalti, tomou distância e chutou forte, mas sua cobrança foi salva pelo goleiro Carlos Santiago Pereira e o troféu foi para a casa dos espanhóis.

3. Graham Rix, segundo à esquerda, é consolado após a perda do pênalti decisivo na final (Bob Thomas Sports Photography/Getty Images)

Ficha técnica da final:

Valencia 0 Arsenal 0

Final da European Cup Winners' Cup Final

Local: Heysel Stadium, Bélgica

Data: 14 de maio de 1980

Público: 40.000

Valencia: Carlos Santiago Pereira, José Carrete, Manuel Botubot, Ricardo Arias, Miguel Tendillo (capitão), Daniel Solsona, Enrique Saura, Rainer Bonhof, Javier Subirats (Ángel Castellanos), Mario Kempes, Pablo Rodríguez.

Arsenal: Pat Jennings, Pat Rice (capitão), Sammy Nelson, Brian Talbot, David O'Leary, Willie Young, Liam Brady, Alan Sunderland, Frank Stapleton, David Price (John Hollins), Graham Rix. *

* Firsts, Lasts and Onlys - Paul Donnelley.

4. Capa do programa oficial da final (Pinterest)
Tradução: Sandro Pontes

Wolves neste dia